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Luis Miguel: A mais bela voz masculina do mundo

Como já disse, este não é um blog sobre música. Mas como homenageei a grande Maria Rita, me sinto em dívida com meu maior ídolo musical: LUIS MIGUEL.

Antes que pseudo-eruditos, me critiquem, basta ouvir qualquer música cantada pelo “Sol do México”, El Rey, para constatar. O homem canta imensamente muito (é para ser redundante, mesmo). Cada palavra, cada nota, são como que prospectadas do poço de sua alma e vem à tona ora com força, ora com falsete; ora com gana, ora com desilusão, mas sempre com garra. Muita garra. Como dizem os argentinos com relação ao jogador de futebol que sua a camisa, Luismi “deixa tudo” no palco.

Sou quatro anos mais velho do que ele. Logo, dei de ombros quando vi aquele pré-adolescente cantando músicas ao estilo ”Menudo”.

Quase dez anos depois, em 1992, ouvi numa dessas rádios FM uma voz que interpretava e não apenas cantava (explico a diferença no parágrafo abaixo) “La Barca”, a mítica canção mexicana dos anos 30. Gostei do estilo daquele cantor, que consistia basicamente no seguinte: cantar a primeira parte da música de forma precisa, com dicção impecável e respeitando a métrica. Mas, na segunda parte…, tirar “um ou mais coelhos da cartola”, intensificando a dramaticidade da canção, subindo o tom, prolongando as frases e inflando os pulmões. Ao final da música, o locutor disse: “você ouviu La Barca, com Luis Miguel”. Pensei: “Caramba!”. Aquele “moleque” de voz aguda se transformou num monstro da interpretação.

A diferença entre cantar e interpretar é muito grande. Há bons artistas nos quais não se nota muita diferença quando cantam uma música de amor intenso ou algo dançante.

Um intérprete – e no caso de LM, O Intérprete – faz sua a estória (ou história) que canta. Seu instrumento é sua voz e além de ser afinada, sabe manejá-la, sabe domá-la, para que transmita aos privilegiados que o assistem e ouvem um filme sem imagem daquele enredo.

Luis Miguel disse que viveu muito do que canta. Filho de um casamento conturbado, que culminou com o desaparecimento da mãe, instável no amor, vide tantos affairs, talvez procurando a figura da mãe…

Fato é que essa explosiva mistura de sentimentos aflora no estúdio de gravação  e, principalmente, no cenário.

Essa lenda latina não canta nunca a mesma música da mesma maneira. Afinal o que sente NAQUELE momento ao cantar é distinto daquele outro instante. Qual foto congelada na retina, a viagem entre comandante e fãs é sempre inédita, rica de belíssimos improvisos. O artista fica gratificado e o público faz sua a vitória do desafio, sempre vencido, de tornar a leitura musical da canção ao vivo mais linda do que a original.

Interessante notar que a maioria do público de Micky é feminino. Nós, os homens, não deveríamos ser minoria. Afinal, o que ele canta vem do masculino para o feminino. Muito fácil dedicar suas canções à mulher amada, ou sentir a não-correspondência do afeto em tantas músicas de desencontros.

Para nós, brasileiros (e brasileiras) é ainda mais difícil.  A barreira do idioma mais o péssimo gosto musical vigente, faz com que quase não ouçamos suas músicas no rádio.

Ao contrário de argentinos e chilenos, ficamos muito tempo sem vê-lo por aqui, ao vivo.

Depois de treze anos, El Rey fez três shows no Brasil (dois em São Paulo e um no Rio). Os de São Paulo entraram no ranking dos concertos com maior porcentagem de ingressos vendidos.

Valeu a pena. Nessa nova fase da carreira, LM abusa do talento, criando preciosas improvisações, relendo seus sucessos com emoção e brilhantismo.

Gracias, Luismi por compartilhar sua voz única e seus sentimentos intensos conosco.

Vida longa ao Rei!

Written by Editor do Blog

24 de outubro de 2012 at 09:40

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