Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

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Elabore planos de ação na educação dos seus filhos

Para que nosso filhos cresçam como pessoas, precisamos propiciar que desenvolvam projetos de vida pautados justamente pelo ideal de excelência humana (ex-cellere = ascender, tornar-se melhor).

São esses projetos que lhes darão sentido à vida e motivação para o aprendizado e para a aquisição de qualidades. As habilidades que nos tornam pessoas excelentes foram chamadas na filosofia clássica de virtudes. De acordo com Platão, o grau de felicidade depende da maior ou menor aquisição e consequente posse de virtudes pelas crianças, principalmente da justiça e temperança.

Daí a importância da elaboração de projetos e planos de ação na educação de nossos filhos. Na Escola AeD por exemplo, cada aluno tem um plano de ação por escrito e que é aplicado em conjunto pelos pais, tutor e a escola. A eficácia gerada é muito grande, não só pela unidade de ação, mas também pelo foco e contínuo “coaching” personalizado do processo e dos resultados.

Segundo José Maria Rodriguez Ramos, em seu livro “Conhece-te a ti mesmo”, antes, porém, de poder formular um projeto de ação de excelência humana para as crianças, é necessário fazer um diagnóstico integral a respeito dos filhos e também dos próprios pais que são seu maior “modelo de amor”.

É preciso mergulhar nas características internas nossas e deles e refletir sobre elas.

O diagnóstico exige um espírito de exame, uma formação positiva com boas leituras e, segundo José Maria Rodriguez, o mais importante, uma atitude de saber escutar.

Aprendemos muito a partir dos outros se soubermos escutar.

Também, para nos auxiliar no diagnóstico dos filhos, podemos nos aprofundar no estudo da caracterologia: conhecer o seu temperamento. Cada filho é único e tem inclinações naturais próprias.  É importante nós, pais, conhecermos o melhor possível estas características e, também, ajudá-los a se conhecerem e perceberem como sentem e reagem, quais são suas qualidades e os defeitos.

A partir daí elaborar um plano de melhoria pessoal refletido e baseado na razão, que é a medida do que é verdadeiramente bom ou mal para o alcance de sua felicidade.

No mito da caverna de Platão, o bem justamente deve ser conhecido através da educação (ex-ducere = conduzir para fora, desenvolver as potencialidades). Os filhos precisam sair das sombras da caverna para o mundo inteligível e de desenvolvimento da razão, do conhecimento da verdade das coisas e do respectivo crescimento nas virtudes e consequente capacidade de fazer o bem.

E cabe aos pais esta maravilhosa missão!

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22 de março de 2017 at 11:32

Publicado em Educação

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Você sabe como se forma a memória emocional das crianças?

As crianças são verdadeiras “esponjas” que vão captando todas as imagens e sensações à sua volta.

Essas imagens vão formando sua memória.

A memória, por sua vez, é acessada pelo cérebro constantemente. É acessada em milésimos de segundos e vai desenvolvendo ideias ou sentimentos no subconsciente da criança. Esses sentimentos e emoções são produzidos de forma espontânea, sem necessariamente depender do comando do EU consciente.

Dessa forma, são formadas janelas de memória que podem ser neutras, “killer” ou positivas.

As janelas neutras são as mais frequentes e não apresentam problemas; já as “killer” são as que geram sentimentos e emoções negativas como medo, ansiedade, insegurança, tristeza, desânimo e outras que bloqueiam o hemisfério esquerdo, a capacidade de raciocinar e o potencial criativo e intelectual. É o caso do aluno que está muito bem preparado para a prova e na hora de fazê-la, “dá branco”. Ou o engenheiro que tem medo de falar e não consegue apresentar suas ideias e vê-las implementadas.

Finalmente, as janelas positivas são aquelas que ajudam a criança a formar uma identidade equilibrada e de aceitação, que a impulsiona à ação e à tomada de responsabilidade com audácia e otimismo.

Daí a grande necessidade de pais e educadores prepararem seus filhos/alunos a gerenciarem suas emoções e formarem janelas da memória positivas. É fundamental todo o processo acadêmico ser acompanhado pelo crescimento emocional, da afetividade positiva. A imagem que a criança tem de si mesma não deveria ter filtros do tipo: “não vou conseguir porque sou lenta”, “sou desorganizada”, “sou incapaz…”.

Cada criança é única e tem um potencial único, um diamante a ser polido. Para isso, precisa ser alimentada com imagens bonitas e não com lixos asfixiantes e feios; precisa ser alimentada com emoções alegres e de confiança ao invés de críticas e de julgamentos.

Algumas dicas:

– Elogiar o que a criança faz bem feito;

– Corrigir em particular (não em público);

– Confiar no seu potencial e não rotulá-la;

– Educar para a independência, que gera sentimento de autoconfiança;

– Evitar superproteger, o que prejudica a iniciativa e segurança;

– Evitar matar a curiosidade, descobrir o mundo junto com a criança;

– Saber ouvir de forma empática, sem olhar para o celular ou relógio;

– Dar estímulos para sua imaginação através de imagens bonitas, da leitura, música, passeios de aprendizagem e artes;

– Filtrar programas televisivos, jogos virtuais e imagens que gerem sentimentos de medo, angústia, violência e outros.

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17 de fevereiro de 2017 at 14:15

Educando seus filhos para a liderança

O caráter é a base para a educação para a felicidade.

Educar a vontade significa ajudar os filhos a crescerem em hábitos bons, ou seja, que levam ao bem. Na linguagem de Aristóteles, trata-se de ajudá-los a desenvolverem virtudes. Quanto mais virtudes forem adquirindo, torna-se mais fácil que eles consigam tomar decisões cada vez mais acertadas e que, portanto, geram satisfações positivas e um aprendizado positivo para as próximas decisões. Entram em um maravilhoso “looping” virtuoso.

A primeira estratégia prática é começar cedo – desde o nascimento- e de aproveitar as janelas de oportunidade de cada hábito bom ou virtude.

As janelas de oportunidade justamente são períodos de tempo nos quais a aquisição de algum hábito operativo é muito fácil e natural.

Por exemplo, de zero a 3 anos é a fase natural para as crianças adquirirem a ordem, higiene, alimentação e sono sem dificuldades e que já são a base para facilitar a aquisição de mais hábitos operativos bons.

Dos 3 aos 6 é a fase da aquisição da constância, sinceridade, obediência e generosidade. Depois até os 11 anos são acrescentados os valores da responsabilidade e fortaleza e de 12 até 15 os da temperança, paciência, pudor, respeito e assim sucessivamente.

Começar cedo inibe os vícios e também ajuda a formar “marcas” positivas em nível cerebral.

Outra estratégia prática é os pais darem o exemplo e também oportunidades para os filhos se exercitarem. Desde pequenos exigir que façam as atividades que consigam realizar por si mesmos e à medida que forem crescendo, aumentar as exigências de independência e autonomia. Quando pequenos motivar a que se vistam sozinhos, arrumem seus brinquedos, a cama, depois pedir que ajudem a família em encargos da casa como colocar a mesa, preparar uma sobremesa, e assim sucessivamente. É importantíssimo não superproteger as crianças, achar que são coitadinhas e tampouco os pais devem privá-las de fracassos ou das consequências negativas de sua autonomia. Melhor a criança fazer de forma imperfeita sem ajuda, aos pais fazerem por ela. Exigir que comecem e terminem uma atividade, desde um esporte que escolheram até a lição de casa diária. Que pratiquem a natação até o final do semestre ou ano antes de mudar.

Outra estratégia que deveria ser aliada à da exigência é a educação no positivo. Confiar nos filhos, que eles são capazes, vão conseguir fazer as coisas, em vez de rotulá-los de forma negativa e reclamar dos defeitos e erros do passado. Focar nas qualidades e potencialidades. Então, por exemplo, se o filho vai muito bem em matemática, ajudá-lo a ser cada vez melhor e colocá-lo em aulas adicionais justamente de matemática.

Isso porque quando a criança cresce em uma habilidade ou virtude, automaticamente a vontade cresce e outras virtudes também.

Finalmente ajuda muito em todo o processo, os pais proporcionarem um ambiente de amigos, escola e lazer favorável à aquisição de valores éticos. A influência positiva dos amigos é fundamental, principalmente enquanto está sendo formada sua consciência e capacidade racional de conhecer e avaliar a realidade.

Júlia Manglano (especialista em educação pelo Instituto Europeu de Educação).

 

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23 de dezembro de 2016 at 10:56

Publicado em Cotidiano

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Luzes, Câmeras, Educação

Pablo 1O médico, professor e escritor Pablo Gonzalez-Blasco, respira cinema desde criança. Em casa, seus pais, avós e irmãos, faziam da sétima arte o assunto preferido. Muitas lições vindas da tela eram transportadas para a vida familiar. Toda essa experiência foi transportada para sua atividade na formação de jovens médicos, e até virou tese de Doutorado. Blasco percebeu ainda que bons filmes também trazem lições para pais, educadores e líderes. Nesta entrevista, ele fala sobre o poder do Cinema na educação.

  • Você utiliza o cinema como ferramenta para o ensino na Medicina e até escreveu um livro sobre isso. Como descobriu que os filmes poderiam ter essa finalidade?

Há mais de 25 anos, de modo espontâneo, comecei a utilizar cenas de filmes para compartilhar com alguns alunos que estavam envolvidos num projeto conjunto em busca de uma Medicina mais humana. Reparei que aquilo tinha um efeito que eu não tinha previsto. O impacto emotivo era enorme, mesmo para os alunos que me tinham ajudado a montar o filme, juntando várias cenas de películas diferentes, na hora de projetá-lo e comentá-lo. Lembro que numa daquelas primeiras ocasiões eu perguntei: “O que aconteceu? Vocês sabiam perfeitamente as cenas que eu projetaria. Por que essa emoção toda? Eles responderam; “Não, isto é algo diferente”. Todos juntos assistindo e refletindo sobre seus comentários, foi um mergulho de emoções e de vivências”.

Espicaçado por essas experiências decidi sistematizá-las de modo acadêmico. O resultado foi a minha Tese Doutoral na Faculdade de Medicina da USP, sobre Educação Médica e Humanismo através do Cinema (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5144/tde-31082009-085309/pt-br.php). Isso foi 15 anos atrás. De lá para cá, o trabalho não parou. Converti-me, de algum modo, no médico do Cinema. Voltando à sua pergunta: a descoberta foi uma combinação de um hábito incorporado na infância, e da resposta positiva dos alunos que me rodeavam há 20 anos. E confirmado pelos resultados educacionais nessas duas décadas.

  • Como descobriu que o cinema também seria ferramenta de ensino não apenas para os médicos, mas para qualquer pessoa?

Tenho muitos amigos e conhecidos que são diretores de empresas, gestores de vendas e de RH. Sabendo do meu gosto pelo Cinema, e acompanhando a minha trajetória na educação médica, começaram a surgir os convites para “fazer aqui na minha empresa isso que você faz com seus alunos”. Houve até casos desafiantes, onde um amigo diretor de vendas de uma importante multinacional convidou-me para conduzir um workshop que durava todo o dia. Ele tinha convocado os vendedores para cobrar os resultados que, diga-se de passagem, não eram dos melhores. O resultado foi excelente. Funcionou. A equipe mergulhou num processo reflexivo, decidiram redigir cartas de intenções para a equipe e para eles mesmos, e saíram felizes. Devo dizer que o encarregado de Recursos Humanos ficou receoso quando viu que a cobrança por vendas tinha parado. O meu amigo foi taxativo: “Isso é muito mais importante do que cobrar metas; isto é cuidar das pessoas, isso é o verdadeiro RH”. Soube que no ano seguinte as vendas duplicaram.

  • Você é autor do livro “Educação da Afetividade através do Cinema”. Como educar nossas emoções com os filmes?

O Cinema é o modo moderno da narrativa. O envolvimento emocional é análogo ao que em outros tempos se tinha com a Literatura (quando as pessoas liam mais), com o Teatro, a Poesia, a Ópera. Enfim, com as artes. Hoje o Cinema tem uma presença maior, porque estamos ancorados numa cultura da imagem, e da emoção. Perguntamos então: O que fazer com essa enxurrada de sentimentos? Como aproveitar isso para educar?

O progresso formativo não vem determinado apenas pelo que se conhece e pelo que se faz, mas pelo modo como se conhece e como se executa. Os sentimentos promovem uma ponte entre o que se conhece – a ideia, o conceito, situado no âmbito do cognitivo – e o que se quer, o que se executa, situado no âmbito da vontade. Não basta saber as coisas para executá-las, é preciso querer fazê-las, e esse querer vai além da simples imposição da vontade. É uma questão de motivação. Surge a dúvida do possível risco que supõe educar apenas a sensibilidade, ancorar-se na estética e nas emoções, sendo que os outros valores – o bom, o verdadeiro – permanecem como conceitos estranhos, pouco definidos para os jovens. Não seria este método do Cinema uma educação fictícia, superficial, epidérmica, que não atingiria o núcleo do educando para promover atitudes duradouras e maduras?

É justamente desencadear este processo de reflexão, mediante recursos próximos ao estudante, o que o se pretende com a estética, da qual o aprendizado através do Cinema faz parte. Dito de outro modo: estabelecer um ponto de partida para uma atitude reflexiva, uma pista de decolagem para futuros aprendizados.

  • Como os pais podem utilizar o cinema para transmitir valores aos filhos?

Devem promover a reflexão. Deixar que os filhos pensem. O Cinema não é um recurso para “dar recados”, para dizer “como devem ser feitas as coisas”, mas apenas para provocar a reflexão. Fazer as pessoas pensarem, esse é o núcleo da educação eficaz. E se acontece que as pessoas pensem algo diferente do que eu pretendo? Esse é o risco natural de toda educação. Abolir a reflexão para evitar problemas e conclusões indesejáveis não é educar, mas um processo de produção em série, como no fast-food. Estamos formando pessoas, não produzindo garrafas de Coca-Cola.

  • Há filmes dirigidos ao público infanto-juvenil, que fazem apologia de sexo e violência. Como os pais devem agir nessas situações?Proibir?

A simples proibição não é educativa. Além do que o proibido acaba estimulando a procura “pirata” do assunto. Hoje as opções são inúmeras, começando pela internet, o celular, etc. Melhor do que estabelecer proibições é concorrer com filmes que transmitam valores. Quer dizer, enfrentar a concorrência com profissionalismo e competência. Isso requer, naturalmente, pensar, gastar tempo. Proibir é mais fácil, mais rápido, mas não funciona. É preciso educar o paladar afetivo, com uma gastronomia saudável.

Num dos meus livros, anoto uma lembrança significativa. Em certa ocasião, um amigo me confidenciou que estava preocupado com os filhos, porque seus colegas de escola falavam com naturalidade sobre “o namorado da mãe” ou “a namorada do pai”. O receio do meu amigo é que seus filhos pensassem que uma família como a deles fosse algo em extinção. Recomendei-lhe algo pouco convencional, ou pelo menos assim me pareceu no momento, mas confesso que foi a melhor ideia que me veio à cabeça: “Peça uma pizza, alugue um filme chamado ‘Lado a Lado’ e, depois de assisti-lo, todos em família, escute-os”.  A película conta a estória de uma adolescente de doze anos e de um garoto de sete, filhos de pais separados, que não aceitam a nova namorada de seu pai. Passados alguns dias, meu amigo me disse que a ideia funcionou.

  • Como você analisa a forma como a Religião é retratada no cinema?

O tema é muito amplo, e as posturas são variadíssimas. É impossível uma síntese sobre o tema. Mas gosto de analisar os casos concretos. Veja, por exemplo, aquele filme simples, de orçamento reduzidíssimo, “Homens e Deuses” sobre os monges que são martirizados na Argélia. Foi recorde de bilheteria, levou a Palma de Ouro em Cannes. Multidões assistindo aos dias finais de nove monges que celebram a Páscoa em silêncio, ao som do Lago dos Cisnes. Algo que faz pensar que talvez não seja a Religião que não se entenda com o cinema, mas que o modo de apresentá-la nem sempre é o mais adequado.

Mais informações sobre os livros e indicações de bons filmes estão no site http://www.pablogonzalezblasco.com.br

 

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27 de agosto de 2016 at 18:28

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A Educação deve tocar o coração dos filhos

Dora Porto: "Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem".

Dora Porto: “Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem”.

A educadora Dora Porto, Master em Matrimônio e Família pela Universidade de Navarra, Espanha, acredita que os pais devem educar não apenas a inteligência, mas também o coração dos seus filhos.  É no coração, afinal, que nascem os bons (e os maus) desejos e, nesse sentido, ajudá-los a ter um coração puro, significa que agirão de forma a amar a si mesmo e ao próximo. Sobre esses pilares, saberão discernir o que é bom e o que é ruim, e serão pessoas de bom caráter. Diretora do Colégio Catamarã Vita, em São Paulo, Dora, autora do livro “Pais inteligentes, filhos resolvidos”, lembra aos pais que a autoridade é um serviço e não um poder.

  • Por que é tão importante que os pais eduquem não apenas o intelecto, mas o coração das crianças?

Todos os pais certamente se preocupam e sabem perfeitamente o que é educar a inteligência de seus filhos. Mas e o coração?  Educar o coração é conservá-lo bom, puro, livre de contaminação. Todos fugimos da contaminação. Queremos água pura, alimentos frescos, comida orgânica, ar puro, muito verde, e por quê? Porque hoje sabemos que essa pureza torna nossa vida longa e saudável.

Mas será que o nosso coração não está sofrendo uma sistemática contaminação?  Quando me refiro ao coração, não estou me referindo ao sentimento, mas ao mais íntimo de nós mesmos. Ao território onde Deus habita, no mais profundo do nosso ser onde não há espaço para duplicidade.

O coração que é a fonte dos motivos que movem nossas ações; de onde nascem os bons desejos; onde se inspiram nossas decisões.

Da mesma forma, se o nosso coração se contamina, toda a pessoa fica contaminada. E de um coração contaminado o que surge?

Surgem maus pensamentos, fornicação, roubo, homicídios cobiça, maldade, fraude, desonestidade, inveja, soberba. Exagero? É só conferir em Mc 7, 21-23.

E como se contamina o coração? Quando desejamos as coisas dos outros, quando nos entristecemos pelos triunfos de alguém, quando se tem atração pela mulher do outro, quando damos muita importância ao nosso próprio eu. Não será que é esse o conteúdo que a mídia oferece aos nossos filhos diariamente?

  • É possível promover o bom caráter dos filhos? Como?

Não só é possível, mas desejável. É preciso educá-los não só para fazer o bem, fazer as coisas bem feitas, mas gostar de fazer o bem. Ou seja, não basta fazê-los obedecer, respeitar, esforçar-se, mas perceber a satisfação que temos quando conseguimos nos vencer, vencendo o comodismo, a preguiça e até o medo de errar! Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem. Pessoas sem garra, que sucumbem ao primeiro desafio. Pessoas contaminadas, sem virtude, sem têmpera. A virtude é justamente essa força na vontade que nos faz bons, esse hábito adquirido com o esforço repetido e que vai nos transformando desde dentro. Ficamos mais refratários a influências nocivas, mais firmes nos nossos critérios, mais valentes à hora de tomar decisões.

Um pai que ama de verdade seu filho, não lhe facilita demais a vida.

  • Como os pais podem ajudar o filho ou a filha a refletir quando estes agem mal?

O que mais ajuda é manter um canal de comunicação aberto. Os filhos precisam saber que podem contar com seus pais em qualquer situação. Pais que mais escutam do que falam, que não se surpreendem, nem se escandalizam. Pais que saibam levar os filhos a refletir sobre seu comportamento e tenham zero de tolerância para ódios e vinganças.

Não podemos estar centrados apenas no “corrigir”. É preciso adiantar-se, extrair deles o que pensam de cada situação. Educar é extrair de dentro aquilo que eles têm de melhor. É preciso muita fortaleza, muita paciência e, sobretudo, perseverança dos pais para não desistir. É exigir com firmeza, mas com muito carinho, fazendo-os ver que a exigência é uma forma de amor, que eles não entenderão no primeiro momento.

  • Quando cometem algum erro os pais devem pedir desculpas aos filhos ou isso afeta a autoridade deles?

É bom sempre recordar que a autoridade é um serviço e não um poder. Não é difícil que nós, pais, abusemos da nossa autoridade movidos pelas nossas emoções, nossos caprichos. É muito importante que tenhamos a humildade de reconhecer se abusamos. Pedir desculpas não só não desautoriza o pai como dá ao filho um excelente exemplo.

  • Como agir quando percebemos que os filhos alimentam sentimentos ruins como inveja, ciúmes, rancor, etc.?

Em primeiro lugar, não se escandalizar. Sentir, todos podemos, pois não temos a liberdade de evitar os sentimentos. O que podemos fazer é governá-los com a inteligência. Portanto quando percebemos esses maus sentimentos em nossos filhos, precisamos ajudá-los a pensar naquilo que estão sentindo e, sobretudo, na sua conduta. É bom fazê-los ver que podem sentir raiva, mas não precisam agir com raiva; podem sentir ciúmes, mas podemos ajudá-los a refletir sobre a causa do ciúme e sua conduta será diferente. Frases como: “Vamos pensar juntos, filha”, tem mais efeito do que alguns minutos de sermão.

  • De que forma os pais podem incentivar os filhos a cultivarem o perdão?

Não existe uma fórmula mágica para que os filhos aprendam a perdoar. Principalmente porque o perdão é algo divino. É natural que as crianças reajam quando são agredidas. Nós, adultos, se formos pelo caminho unicamente natural, teremos a mesma reação. É importante fazê-los perceber que perdoar é dar uma nova chance ao agressor. É encaminhar para Deus o julgamento. É libertar-se. Precisamos mostrar-lhes que quando ficamos ressentidos, na maioria das vezes somos nós os que permanecemos sofrendo, enquanto que o agressor nem ao menos imagina que nos ofendeu. Os filhos precisam experimentar o perdão. Experimentar o perdão dos pais e experimentar perdoar. Não é uma questão de raciocínios.  “No lar onde não se pede desculpa, começa a faltar o ar”, nos diz o Papa Francisco.

  • Quando se fala em guardar o coração, pensamos nos meios de comunicação que difundem programas, músicas e filmes com conteúdo impróprio. Como os pais devem lidar com isso?

Podemos criar um “no-break” no coração dos nossos filhos. Se vivemos em casa a generosidade, o agradecimento, a honestidade, a simplicidade, a transparência, as boas intenções, o amor plasmado em atos, vamos construindo e educando seus corações e tornando-os mais resistentes a esses ataques. Saberão distinguir e filtrar o tóxico. Saberão que o bom, o gostoso, nem sempre é o bem. Aprenderão na prática diária a resistir ao mais fácil. Para isso terão que contar com nosso incentivo, nosso exemplo, mais do que com nossas “broncas”, nossos sermões.

  • Que mensagem você daria aos pais?

Sou diretora no Colégio Catamarã Vita, e o que mais nos surpreende é constatar a dificuldade que os pais têm para ser mais firmes com seus filhos. Com a melhor das intenções facilitam demais a vida deles. Têm muito receio de dizer “não” e com essa atitude vão transformando seus filhos em “merengues” como se referia o Dr. Rafael Pich, um grande educador. A mensagem que eu daria aos pais é que “SAIBAM TIRAR PROVEITO DA CRISE”. Ou seja, em tempos de crise econômica como todos estamos vivendo, é muito mais fácil dizer “não”.   Pouco a pouco veremos que não acontece nada se os contrariamos. Ou melhor, acontece sim, pois acabam se tornando mais fortes às frustrações e menos suscetíveis às contrariedades. E dessa forma seu caráter se vai forjando até adquirir a forma do que seria, como diria Michel Sparza, no livro “Sintonia com Cristo”, a “pessoa ideal: que combina a mente clara do engenheiro, a vontade forte do atleta e o coração ardente do poeta.”

 

Linha Bioleve zero - 1,5L (reto)

 

 

 

 

 

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24 de novembro de 2015 at 16:12

Publicado em Educação, Família

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Como Educar seus filhos para a Felicidade

Júlia Manglano: “Na família as pessoas são amadas incondicionalmente”

A professora Júlia Manglano sempre teve fascínio pela Educação. Pós-graduada em Estimulação e Educação Infantil pela Escola Europeia de Educação, dirige uma escola em São Paulo que oferece cursos para pais e mães que querem educar seus filhos “para a felicidade”, segundo ela mesma diz. Nesta entrevista, Júlia explica como os pais podem desempenhar melhor sua missão de principais educadores das crianças.

Qual é a missão dos pais?

Júlia Manglano: Os pais têm em mãos a essencial e rica missão de educar os filhos para a felicidade terrena e eterna. A família deve ser uma comunidade de vida e amor. Para isso os pais recebem de Deus uma graça especial, a graça de estado de pai e mãe. Os pais são os primeiros e principais educadores e não devem delegar este papel a ninguém pela unidade de amor entre pais e filhos, que é insubstituível.

Qual deve ser o papel da família?

Júlia Manglano: O papel da família é de primeira comunidade de amor, onde os membros são aceitos e amados por si mesmos, ou seja, de forma incondicional. É a primeira escola de desenvolvimento das faculdades superiores do ser humano: inteligência e vontade. É uma comunidade de crescimento nas virtudes e na excelência humana natural e também na sobrenatural. É a base da sociedade e da construção de um mundo mais justo e humano.

 E como os pais podem dar conta do recado, já que também têm seus defeitos e limitações?

Júlia Manglano: Em primeiro lugar, os pais têm a ajuda de Deus para suprir as suas lacunas e fraquezas. Por isso, em primeiro lugar, devem rezar pelos filhos todos os dias. Depois, devem conhecer suas limitações e possibilidades. Precisam estabelecer objetivos educativos gerais, e também para cada filho, traçando um pequeno plano de ação.

Os pais também devem tratar o tempo para os filhos como prioridade e o “trabalho de educação” como o mais importante. Estudar, adquirir conhecimentos para educar cada vez melhor e tornar-se pai ou mãe “profissional”.

Você organiza cursos para formação dos pais. Por que é importante que os pais se “profissionalizem” nessa missão de educar os filhos?

Júlia Manglano: Educar hoje está mais difícil, devido aos inúmeros estímulos e apelos que as crianças recebem desde cedo. Nesse sentido, é importante os pais conhecerem as novidades em educação e novas tecnologias que facilitam muito a tarefa educativa. Dessa forma, podem aliar seu amor incondicional aos conhecimentos em educação.

 Qual o método e o conteúdo desses cursos?

Júlia Manglano: Através de cursos para pais que trazem novas tecnologias em educação. Educar hoje ficou mais difícil. Por isso os pais também precisam de ferramentas mais eficazes e que facilitem sua tarefa educativa. A Escola AeD, que eu dirijo, trouxe um curso para pais com filhos de 0 a 6 anos de idade de estimulação e educação infantil.

O curso transmite princípios e técnicas de como os pais podem multiplicar a inteligência de seus filhos na fase em que o cérebro cresce 85%, até os 6 anos de idade. Pais que fizeram o curso relatam que seus filhos começaram a desenvolver habilidades e gosto em todas as áreas: física, de leitura, musical, de artes, matemática, e outras, independentemente da herança genética.

Assim como existe esta janela de oportunidade para o desenvolvimento da inteligência de 0 a 6 anos, também existe a janela do desenvolvimento da vontade, de hábitos bons, que deixam marcas a nível emocional no cérebro. Esses hábitos bons são a base para a posterior aquisição de virtudes. Os hábitos básicos de 0 a 3 anos são: ordem, higiene, alimentação e sono. Se as crianças até os 3 anos estiverem comendo de tudo e sozinhas; escovando os dentes e tendo outros hábitos de higiene; dormindo a noite inteira em sua própria cama, com rotinas e ordem material, estarão muito bem preparadas em termos de desenvolvimento da vontade (do caráter) para a fase seguinte dos 4 aos 8 anos. Nessa fase é importante os pais ajudarem as crianças para que sejam sinceras, obedientes e generosas.

 Você acredita que os pais devem educar os filhos para a felicidade. Você tem até um blog, no Portal Estadão, com esse título. O que significa isso?

Júlia Manglano: Educar para a felicidade significa desenvolver todas as potencialidades dos filhos através de estímulos, oportunidades e, principalmente, de modelos adequados. O desenvolvimento da inteligência torna a criança cada vez mais apta a conhecer a verdade e tomar decisões que levem ao bem. Crianças inteligentes e de caráter são felizes porque descobrem cada vez mais o valor das pessoas e do amor. Educar para a felicidade significa educar para o amor inteligente.

 Uma das maiores dificuldades dos pais é como impor limites aos filhos, sem serem tiranos. Como fazer isso?

Júlia Manglano: Os pais devem aprender a exigir dos filhos com carinho. Não ter medo de falar ‘não’, de colocar limites. As crianças gostam quando têm pais firmes e que lhes dizem o que devem fazer ou o que é o melhor para elas. Exigir com carinho é uma manifestação de amor. Sem autoridade, fica difícil os pais conseguirem educar para a felicidade. Quando os filhos respeitam os pais, porque estes têm autoridade, eles aprendem que obedecer é um bem e depois também saberão obedecer a Deus Pai. Para isso mães e pais devem gastar tempo com seus filhos. Com tempo e amor conquistam a obediência deles. Para não perder autoridade os pais devem evitar: gritar, repetir as ordens, castigar sem avisar antes, ameaçar e não cumprir. Para que obedeçam é melhor elogiá-los, avaliar porque os filhos não estão obedecendo, conhecer os motivos e, a partir daí, atuar de acordo.

 A escola que você dirige tem o foco voltado para a estimulação da inteligência, desde os primeiros anos de vida da criança. Por quê?

Júlia Manglano: A Neurociência demonstra que se as crianças forem devidamente estimuladas podem desenvolver facilidade e gosto em todas as áreas independentemente da herança genética. Acabam desenvolvendo habilidades nos esportes, na leitura, na matemática, artes, língua estrangeira, música e ciências porque receberam estímulos desde cedo. Não serão um Mozart ou um César Cielo porque aí precisam também da parte genética, mas vão gostar de música e de praticar esportes.

Qual mensagem você deixa para os pais e mães “de primeira viagem”?

Júlia Manglano: Uma grande educadora e fundadora do Instituto de Inteligência no Brasil, Conceição Veras, sempre diz: Mãe e bebê formam a dupla mais dinâmica do mundo! E eu acrescentaria: Pais, filhos e Deus formam a comunidade mais feliz do mundo! Isso porque o amor dos pais que é incondicional, unido ao amor a Deus, que os ajuda em sua missão, é garantia de que a criança será educada para a felicidade.

 

(Informações sobre os cursos para pais: www.escolaaed.com.br ou pelo tel: 5531-8672)

 

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17 de setembro de 2015 at 16:43

A vontade e mais importante que a inteligência

Assisti a uma palestra do brilhante professor Luiz Marins, sobre como os pais podem ajudar os filhos a serem adultos felizes.

Muita coisa ficou gravada a fogo no coração dos pais.

O miolo da fala de Marins: não adianta apenas se preocupar em dar “escolaridade” e “conteúdo” aos filhos. Tão ou mais importante do que o conteúdo, é a vontade férrea que o indivíduo deve ter para colocar em prática o que aprender.

“A inteligência é um farol que ilumina o caminho”. Mas a vontade é que ajuda a pessoa a percorrê-lo.

Nesse sentido, é fundamental que os pais eduquem a vontade dos filhos, para que, sabendo o que é certo fazer, o façam.

Frase lapidar da palestra: “Educar a vontade significa fazer o que é certo ser fácil e o que é errado ser difícil”.

Quantos de nós, ao sabermos o que deve ser feito em nossa vida pessoal ou profissional, adiamos, evitamos ou desistimos de fazê-lo por ser difícil, trabalhoso e optamos por algo mais fácil, mesmo que não seja o melhor?

A falta de tempo com os filhos, graças à correria do trabalho, que afeta pais e mães, leva-os muitas vezes a serem não pais bons, mas “bonzinhos”.

O pai bonzinho é aquele que dá dinheiro ao filho para que compre lanche na escola.

O filho gasta a grana em figurinhas.

O pai bonzinho acha graça e ajuda o garoto a colar os cromos no álbum.

Segundo Marins, o pai está ensinando o menino a “desviar verba”.

Mas não é verdade?

Educar a vontade é ajudar o filho a perceber que deve aprender a ser dono de si, mediante o domínio próprio de fazer o que deve ser feito. Não o mais confortável.

A verdadeira liberdade é ter a vontade tão à mercê do cérebro, que se tenha liberdade para decidir e fazer o que é melhor.

Isso gera realização. Gera felicidade

O paradoxal é que por mais que a criança ou o adolescente esperneie com o pai ou a mãe exigente, o adulto que será amanhã vai agradecer pelo resto da vida a têmpera que adquiriu com aquele pai bom. Com aquela mãe boa.

Não boazinha.

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Written by Editor do Blog

20 de maio de 2014 at 18:29