Blog do Roberto Zanin

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A crise econômica e o desafio de manter o emprego

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O ano de 2015 tende a ser um período de incertezas para a Economia. Mas o presidente da Anthropos Consulting, empresa de Desenvolvimento Empresarial e Profissional, Luiz Marins, acredita que esse cenário não deve preocupar o trabalhador que investe na própria carreira e se relaciona bem com os superiores e colegas. Marins, que também é escritor e um dos mais requisitados palestrantes do Brasil, acredita que a fé e a vontade de aprender são aliadas na busca por um novo emprego.

Roberto Zanin – O que o profissional deve fazer para aumentar sua empregabilidade?

Marins – Ele não pode ficar esperando que seus atuais empregadores invistam na sua formação e desenvolvimento. Ele mesmo deve assumir esse desafio. Deve pegar um pouco do pouco dinheiro que tenha e investir em si próprio, no seu conhecimento; um pouco do pouco tempo que tenha e investir em si próprio; um pouco da pouca energia que ainda tenha e investir em si próprio. Ele tem que demonstrar para o mercado – seja para o atual ou para seu futuro empregador – que é uma pessoa que investe no próprio desenvolvimento, pois, se não demonstrar isso, ninguém investirá nele, o que diminuirá a cada dia a sua empregabilidade. Além disso, deve ser alguém que esteja sempre disposto a aprender a participar dos programas e projetos de sua empresa. Quem se “economiza” muito, perde muitas chances de empregabilidade dentro e fora da empresa em que esteja trabalhando.

Roberto Zanin – O ano de 2015 será um ano de ajustes na Economia. O que fazer para diminuir as chances de ficar desempregado?

Marins – O colaborador deve demonstrar, claramente, com ações concretas, que está disposto a ajudar a empresa neste momento de crise. Ele não pode ficar criando pequenos problemas e deixar de participar de tudo o que a empresa proponha. Agora é hora de o colaborador investir num bom relacionamento com superiores, iguais e subordinados, para que se torne uma pessoa que a empresa enxergue como indispensável.

Roberto Zanin – Por outro lado, quais as principais razões para que o profissional esteja entre os primeiros na lista de demissão?

Marins – Perguntei para muitos patrões, muitos chefes, muitos executivos: Por que você dispensa uma pessoa que estava tão segura? Veja algumas coisas que eles me disseram: 1ª) Arrogância; 2ª) Achar-se indispensável; a pessoa se acha tão indispensável, que ela acaba sendo dispensável; acha que, sem ela, a empresa não sobreviverá. 3ª.) Fazer-se de ocupada; a pessoa que começa a se fazer de muito ocupada perdeu a noção de que ela não é, por certo, a pessoa mais ocupada do mundo. 4ª.) Não participar de cursos, treinamentos, palestras que a empresa promove. 5ª.) Pessoas que cumprem rigorosamente o horário, nenhum minuto a mais, nenhum minuto a menos e não andam o quilômetro extra. 6ª.) Segurar informações e não passar para os outros.

Roberto Zanin – Sentir-se seguro no emprego pode ser perigoso para o profissional?

Marins – “Eu pensei que eu estava seguro em meu emprego e não estava, fui dispensado, o que aconteceu?” Ouvi este desabafo de um funcionário dispensado após 18 anos de trabalho, na mesma empresa.

Passada a comoção da dispensa, ele me diz: “Na verdade, eu me acomodei, achei que estava seguro, que a empresa precisava mais de mim do que eu dela. Rejeitei algumas propostas para mudar de cidade e ajudar o estabelecimento de uma nova filial, protelei um Curso de Inglês, que meu gerente queria que eu fizesse; tirei férias nos dias em que novos equipamentos foram instalados e perdi o treinamento sobre como operá-los, sem ter me dado conta. Comecei a falar mal da minha empresa (quem observou isso foi a minha mulher), a criticar as novas políticas de qualidade e produtividade. Professor, dancei!”

Na verdade, a pessoa não fez nada diretamente errado e que tenha motivado a sua dispensa. Uma gotinha d´água todo dia vai enchendo o copo, até que uma gota o faz transbordar. Uma palavra, um gesto, um comentário em relação a um fornecedor ou cliente, pode ser essa gota d’água. Outro motivo frequente para demissão é ter perdido o respeito pelos colegas. Isso é muito comum.

Roberto Zanin – Qual a melhor estratégia para conseguir novo emprego?       

Marins – Mostrar-se disposto a aprender. O empregador hoje quer alguém que tenha um conhecimento, mas principalmente que esteja disposto a aprender e a enfrentar novos desafios que acontecem todos os dias em qualquer empresa. Não adianta mentir numa entrevista de emprego. É preciso falar a verdade e mostrar brilho nos olhos, disposição para o trabalho e não se “economizar” para aprender coisas novas.

Roberto Zanin – O desemprego afeta a autoestima, o que dificulta a recolocação profissional. Como encarar esse momento de dificuldade?

Marins – O desemprego é uma das coisas mais tristes que pode acontecer na vida de alguém. Um desempregado tem que ter uma força muito grande para não se desesperar. Nesse momento é que a religião pode ter um papel fundamental para que a pessoa não perca a esperança e não se acomode na amargura. Ela não pode se entregar. Tem que procurar emprego todos os dias sabendo que receberá mais “nãos” do que respostas positivas.

Roberto Zanin – Sempre se transmite a ideia de que o que conta para a contratação é o candidato falar outros idiomas, ter vários diplomas, etc. Além disso, o que as empresas esperam de um profissional?

Marins – Há pessoas que têm a expectativa de receber pelo que sabem e não pelo que fazem. Essa é uma grande ilusão. Quando um diploma, certificado, curso ou experiência estão numa pessoa que produz mais e melhor, aí sim, o aumento ou a promoção poderão ocorrer. Não basta ter conhecimento teórico. É preciso fazer!

Roberto Zanin – É cada vez maior o número de pessoas que deixaram o emprego com carteira assinada, para serem prestadores de serviço. Como devem se portar em tempos de crise?

Marins – Terão que trabalhar muito, pois serão responsáveis pela própria sobrevivência. Devem sempre fazer mais do que o cliente esperava que ele fizesse para que possa surpreender e encantá-lo e, assim, transformar cada cliente em seu vendedor ativo, seu propagandista. 78% das pessoas confiam mesmo é na informação de outras pessoas na hora da decisão de compra. Assim, o marketing viral é fundamental e para isso é preciso que o cliente seja surpreendido e encantado.

Roberto Zanin– Quem fica desempregado, com frequência pensa em abrir sua própria empresa. O que se deve levar em conta antes de tomar essa decisão?

Marins – O maior problema é que a maioria das pessoas não tem a real noção do que é ser empresário, empreendedor de si próprio. Eles simplesmente não imaginam a enorme carga tributária, os entraves burocráticos, as ações trabalhistas, os achaques de corruptos fiscais e tudo mais que uma anônima e insensível máquina governamental impinge aos empresários de qualquer tamanho. E eles jamais pensaram naqueles que não pagam, não cumprem seus contratos escritos ou verbais, os que não temem a justiça e a desafiam como modo de viver. Quem quer ter seu próprio negócio deve pensar se tem a coragem de pensar grande.  Ver no horizonte a luz de seu sucesso, mas que para chegar lá terá que atravessar caminhos nem sempre agradáveis.

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Written by Editor do Blog

16 de março de 2015 at 11:53

Publicado em Cotidiano, Sociedade

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