Blog do Roberto Zanin

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Era “apenas” homem; agora sou também pai

 

 

Ser homem significa ser eternamente coadjuvante.

Na Igreja, ficar em, pé diante do altar, sem graça, enquanto todos aguardam a entrada da noiva.

E, na hora do parto, as estrelas são o bebê e a mãe.

De uns tempos para cá, o pai pode assistir Ao parto (não O parto, a não ser que ele seja o anestesista).

Momento em que ele se sente mais coadjuvante ainda.

“O Sr. Entra ali, coloca este avental, este protetor para o sapato e esta touca. Depois, o Sr. aguarda quietinho até o doutor chamar”.

E quando o doutor chama, já está quase na hora de experimentar uma alegria inefável.

Eu, que trabalho com palavras, não consigo achar alguma que a expresse.

O primeiro filho significa que você deixa de ser menino, moleque, deixa de ser homem para se tornar pai.

A partir daquele instante, que na verdade, começa quando o teste de gravidez dá  “+”, sua vida não será mais a mesma.

E isso não é uma simples frase feita.

A vida muda mesmo.

Não serão apenas as noite mal-dormidas, os sobressaltos constantes e as preocupações com os meninos, que durarão mesmo depois que os meninos não forem mais meninos( mas que, para nós, sempre serão).

A vida mudará de rumo.

Acabará o “eu”.

Virá o “eles, elas”.

Virá o “comer um pedaço de pizza e uma bola de sorvete a menos porque perceberei que ele ou ela está com vontade”.

Aumentará a capacidade de engolir sapos dos mais diversos tamanhos, já que agora, não sou apenas eu que sofrerei as conseqüências dos meus atos.

Terei que aprender a conviver com uma dor pungente, diferente de todas as demais, quando algum deles fica doente.

Virão os constantes diálogos interiores, quase sempre se questionando: “será que agi bem? Será que estou sendo um bom pai?”

Ah, como é infinita a estrada que separa o ser homem do ser pai.

Ser pai faz com que compreendamos porque nossos pais agiram daquela forma, que à época, não entendemos.

Ser pai aumenta a capacidade de perdoar os nossos próprios pais por seus defeitos que, quase sempre, afloram também, depois, em nós.

E amar ainda mais o pai que já está com o PAI.

Ser pai significa experimentar Amor com “A” maiúsculo.

Amor generoso, desprendido.

Carregar o filho enquanto tivermos forças.

Acompanhar o filho enquanto houver caminho.

Entregar o filho ao mundo para que seja pessoa do bem.

E, se Deus assim o quiser, para que seja um pai melhor do que eu fui.

Voltando ao destino do homem, de ser coadjuvante.

Há um momento em que deixamos de sê-lo.

Quando seu filho, sua filha, olha para você com aquele olhar que diz tudo, numa fração de segundo.

Quando você lê nos seus olhos que ele olha para a única pessoa entre bilhões que pode chamar de “pai”…

Você respira fundo e pensa: “Sou o protagonista dessa história de amor”.

E apesar de todas as incertezas, experimentarei a serenidade de saber que, apesar dos erros cometidos, quase sempre querendo acertar, meus filhos podem dizer, com certeza eterna :

“Meu pai sempre me amou”

 

 

 

 

Written by Editor do Blog

9 de agosto de 2013 at 17:05

Publicado em Cotidiano

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