Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for the ‘Televisão’ Category

A Patrulha venceu. Calaram Sheherazade

Rachel Sheherazade terá que ser uma boneca de ventríloquo.

A paraibana arretada, a Rachel  “Sem-Medo”, dará lugar a Rachel mera leitora de teleprompter.

Quando saiu de férias, cresceram os boatos de que havia sido demitida  pelo SBT.

Quero me penitenciar, já que não acreditava nisso.

Ela não saiu, mas “saiu”.

Poderá apenas ler as notícias.

Terá que morder a língua ao ler as justificativas de Dilma para as Pasadenas da vida, a gastança da Copa ou os desdobramentos Vargueanos.

Não a conheço pessoalmente, mas acho que, como mulher de brio que aparenta ser, não vai tolerar essa situação por muito tempo.

Rachel nasceu para dar voz à maioria silenciosa.

Não para ser um rostinho bonito ou como ex-modelos que sabem ler teleprompter, que o SBT já tem aos montes.

O silencio imposto a Sheherazade tem o condão de atingir não apenas à mais amada e odiada âncora da TV; trata-se de um “cala a boca” prévio a todos os que querem dar opiniões contrárias aos donos do poder.

Discordei de algumas opiniões dela, mas lamento que a patrulha tenha vencido. O fim da censura na TV serviu apenas para liberar a pornografia e a violência, já que a mordaça ideológica está vivíssima e lembra os tempos da ditadura.

Cuba e Venezuela são logo ali.

Written by Editor do Blog

15 de abril de 2014 at 18:08

Sucesso de paratletas é grito dos inocentes

Assistir às Paralimpíadas é edificante. Pungente. Soco no estômago e puxão de orelhas para mim, que tantas vezes reclamo de coisas tão insignificantes. Que me “estresso” tão facilmente.
Mas esse espetáculo de superação e energia, é, acima de tudo, um grito silencioso a governos, parlamentos e tribunais ao redor do planeta.
Heróis de todos os continentes parecem clamar a cada conquista.
“Parem com as tentativas de deliberar que só os ‘perfeitos’ têm o direito de nascer”.
“Parem de julgar que vocês têm a prerrogativa, a capacidade, a superioridade ética e moral de decidirem o que é verdadeira vida. De defender que portar essa ou aquela deficiência deve ser passaporte para o não-nascer.”
A verdade é que com todo o bem-vindo progresso científico, ainda não conseguimos definir o inefável. Quanto vale um segundo de vida, mesmo que uma lufada de ar não venha acompanhada de consciência, ou de aparente “normalidade”?
Os cientificistas, materialistas e congêneres talvez não percebam que a própria Ciência, usada como argumento supremo para o banimento dos “imperfeitos”, é a grande aliada para a preservação dos direitos alienáveis de quem não foi gerado com saúde plena.
Dever do Estado é garantir que todos nasçam e possam ter acesso aos avanços terapêuticos (que não firam a dignidade humana), aos novos medicamentos, às próteses e ao auxílio para que possam desenvolver ao máximo suas potencialidades.
Até que venha o momento de partirem, após terem deixado lições para os que aqui ficam. Momento de partir que pode chegar muitos anos ou alguns instantes após seu nascimento.


Em meio à sociedade que tem horror ao sofrimento (e que tem cada vez mais pessoas deprimidas e com Síndrome do Pânico), deletar os “incapazes”, parece ser um artifício para abolir do consciente coletivo que nem tudo é conforto, eficiência, sucesso e “felicidade”.
Sempre que se fala de algo parecido, em favor da vida desde a concepção até a morte natural, os opositores embainham argumentos do tipo: “isso é coisa de religioso”. Ora, não estamos aqui falando de doutrinas, sermões, pregações ou coisa que o valha.
Falamos de algo primário: quando se escolhe quem merece ou não viver, salvo em legítima defesa, se está usurpando o direito inaliável do outro. E não um direito qualquer, mas o Direito, com “D” maiúsculo: à vida.
Que o digam pais como o jornalista Diogo Mainardi, que acaba de lançar um livro sobre suas edificantes experiências, vividas durante onze anos ao lado do filho, que tem paralisia cerebral. Mainardi, com a autossuficiência inerente à maioria dos jornalistas, rendeu-se à beleza de ser humano que é Tito e descobriu ter forças que não imaginava. O que para muitos daria “pena”, para ele, Mainardi, deu sabedoria. E para quem não sabe, Diogo não tem nada de “religioso”.
Voltando aos jogos, é sintomático que o Brasil, que investiu pesado em atletas de alto rendimento para trazer medalhas nas Olimpíadas de julho, tenha sido representado melhor por seus atletas paralímpicos. Sintomático e desafiador.
Afinal, a Mãe Gentil aprovou, via STF, o aborto de anencéfalos, abrindo a porta para decisões de tribunais Brasil afora, que têm autorizado gestantes a abreviar a vida de seus filhos com outras anomalias.
Pode parecer clichê, mas na paralimpíada, todos os atletas merecem medalha de ouro. Não só pelo exemplo pessoal, mas pelo recado dado à minha geração light, asséptica e “civilizada”.
(Artigo publicado no jornal A Gazeta do Povo, em 08/09/2012)

Written by Editor do Blog

8 de setembro de 2012 at 09:07