Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for the ‘Saiu na Mídia’ Category

A Patrulha venceu. Calaram Sheherazade

Rachel Sheherazade terá que ser uma boneca de ventríloquo.

A paraibana arretada, a Rachel  “Sem-Medo”, dará lugar a Rachel mera leitora de teleprompter.

Quando saiu de férias, cresceram os boatos de que havia sido demitida  pelo SBT.

Quero me penitenciar, já que não acreditava nisso.

Ela não saiu, mas “saiu”.

Poderá apenas ler as notícias.

Terá que morder a língua ao ler as justificativas de Dilma para as Pasadenas da vida, a gastança da Copa ou os desdobramentos Vargueanos.

Não a conheço pessoalmente, mas acho que, como mulher de brio que aparenta ser, não vai tolerar essa situação por muito tempo.

Rachel nasceu para dar voz à maioria silenciosa.

Não para ser um rostinho bonito ou como ex-modelos que sabem ler teleprompter, que o SBT já tem aos montes.

O silencio imposto a Sheherazade tem o condão de atingir não apenas à mais amada e odiada âncora da TV; trata-se de um “cala a boca” prévio a todos os que querem dar opiniões contrárias aos donos do poder.

Discordei de algumas opiniões dela, mas lamento que a patrulha tenha vencido. O fim da censura na TV serviu apenas para liberar a pornografia e a violência, já que a mordaça ideológica está vivíssima e lembra os tempos da ditadura.

Cuba e Venezuela são logo ali.

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15 de abril de 2014 at 18:08

O Rei do Camarote nos faz pensar

A falta de bom senso que assola o país voltou a se manifestar com a repercussão sobre a história dos “reis do camarote”.

O maior destaque da matéria da Veja SP, foi o despachante Alexander. Mesmo conhecendo a seriedade do ótimo repórter João Batista Jr., custei a acreditar que Alexander era Alexander.

O  non sense das declarações do “tigrão” me fez pensar: “Esse cara é um ator”.

Não pode estar falando isso a sério.

Depois, analisando com calma seu pensamento “filosófico”, cheguei à conclusão de que o  monarca camaroteano tem o dom de expressar em nível consciente o que está no inconsciente. Não só no dele, mas no da maioria das pessoas da sociedade politicamente correta.

O interdito do consciente impede que o ser contemporâneo verbalize que, para ele, sinônimo de sucesso é o luxo graficamente exibido com uma Ferrari , champanhe, mulheres e amigos VIPs.

Mesmo sem dizer, sinais desse modo de pensar estão por toda a parte.

Conheço muita gente que não torra 50 mil reais numa noite, como Alexander, mas que faz questão de se exibir, sacrificando coisas essenciais, para ter um carro de, vá lá, 150 mil reais.

Gente que estoura o cartão de crédito para vestir, como disse Alexander, “as melhores griffes”.

Enfim, gente que acredita no que “agrega” e no que dá “statissss” (sic).

E boa parte deles está entre os que crtiticam o sultão baladeiro.

E esse comportamento ocorre, em escalas menores, até nas classes sociais mais baixas.

Não basta ter. Há que se ostentar.

Ouvi e li muita bobagem sobre o tema. Houve até quem defendesse o rapaz, vendo nas críticas ao seu way of life, uma crítica ao capitalismo, com a oposta defesa do socialismo.

Bobagem. Esbanjadores e amigos do luxo também existem nas elites socialistas.

A maior pérola, repetida à exaustão: “O dinheiro é dele e ele faz o que quiser”.

Ganho honestamente, ele pode gastar com o que quiser, mas eu posso, democraticamente, discordar da maneira como gasta.

Minha visão de mundo é aquela que concebe bem material como meio, não como fim.

Ser rico não é pecado. Há pobres avarentos e ricos desprendidos.

Não acredito que pese sobre Alexanders da vida a carga de resolver os problemas da exclusão social no Brasil.

Pode ser, inclusive, que ele empregue parte do seu dinheiro em boas causas.

Mas quando luto para conseguir, “a pulso” duzentos, quinhentos reais para uma ONG séria que ajudo, penso.

Quanta coisa útil essa entidade poderia fazer com o dinheiro que o rei do camarote gasta numa noite…

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13 de novembro de 2013 at 15:05

Os balões de ensaio da entrevista do Papa

Dia desses ouvia o noticiário.

Um correspondente europeu, efusivo, anunciava que o Papa estava ventilando mudanças radicais na Igreja.

O tal repórter, a exemplo de outros jornalistas, acabou distorcendo (e torcendo) o sentido das palavras papais, pronunciadas na entrevista  à revista “Civillita Católica”, dos jesuítas.

Francisco explicou, entre outras coisas, que neste início de pontificado prefere priorizar um discurso positivo, em vez de elencar os conhecidos postulados doutrinais e morais, focados, principalmente, no que “a Igreja é contra”.

A verdade é que muitos batizados se afastaram  e se dividiram em dois grupos: os que acreditam que aos católicos tudo é permitido e os que pensam que aos católicos tudo é proibido.

Estes não se animam a voltar ao redil romano por não passarem pelo “check list”: “já se separou?”; “usa métodos contraceptivos?”, etc.

Há também aqueles “católicos” que, como diria o samba, “deixam a vida lhes levar”; vão à missas de sétimo dia, respondem ao Censo do IBGE que são católicos e, quando se deparam com um problema existencial, seguem o conselho do colega de trabalho evangélico.

Vão ao culto, sentem-se acolhidos pelo pastor e dirão, no futuro: “Não encontrei  Deus no catolicismo”.

Penso que o DNA da “polêmica” entrevista do Papa à revista “Civilitta Católica” é: para quem está afastado da Igreja, os “convidados Vips”, conforme Francisco disse na JMJ, o primeiro anúncio deve ser…o primeiro anúncio, o Kerigma.

Ressalta Francisco: “A Igreja por vezes encerrou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. O mais importante, no entanto, é o primeiro anúncio: ‘Jesus Cristo salvou-te’.”

Utilizando a metáfora de Cristo, que compara seus discípulos a ovelhas, o pastor ao encontrar a desgarrada, não deve dizer: “Que bom que eu te encontrei. Agora, para voltar ao aprisco, você deve antes curar suas feridas e prometer que nunca mais vai fugir”. Pelo contrário, a comovente imagem de Cristo que carrega a ovelha nos ombros, nos remete à ideia de que Ele a está primeiro levando-a  ao redil para, só depois, curá-la.

Engana-se quem, por ingenuidade ou má-fé, pensa que Francisco sinaliza que vai “liberar geral”.

Ele condena os extremismos de ambos os lados.

O excesso de escrúpulos, que pode levar ao farisaísmo, à religião da letra, da lei.

E critica a outra face da moeda, daqueles que pretendem transformar Deus numa espécie de Pai indiferente ao Bem e ao Mal, que no final das contas, vai levar todo mundo para o Céu e colocar no seu banquete, lado a lado, o corrupto obstinado e São Francisco de Assis.

A imagem do confessor foi empregada, na entrevista, nesse sentido pelo Pontífice: O confessor, por exemplo, corre sempre o risco de ser ou demasiado rigorista ou demasiado laxista. Nenhum dos dois é misericordioso, porque nenhum dos dois toma verdadeiramente a seu cargo a pessoa. O rigorista lava as mãos porque remete-o para o mandamento. O laxista lava as mãos dizendo simplesmente “isto não é pecado” ou coisas semelhantes. As pessoas têm de ser acompanhadas, as feridas têm de ser curadas».

A primeira plana do frame “Igreja-Mídia” tem sido, via de regra, negativo: o antagonismo das posturas moral-doutrinais católicas em face da agenda politicamente correta.

Nesse sentido, o Catolicismo parece ser a Religião do “Não”: Não ao aborto, Não ao casamento gay, Não, não, não…”

A abordagem que o Papa quer que a Igreja adote tem o frame do “Sim”.

Sim à vida, Sim a todos os que precisam do “calor” (termo utilizado por ele, na entrevista) do Evangelho.

Isso de modo algum significa relaxamento na bimilenar doutrina Católica-Apostólica.

Significa que Cristo, que disse que “são os enfermos que precisam do Médico”, primeiro acolhia a samaritana, a prostituta, o fiscal corrupto, o coletor de impostos, para depois, olhos nos olhos lhes dizer: “Agora vai e não peques mais”!

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27 de setembro de 2013 at 22:04

O perigo mora nas estatísticas

Ok, confesso. Tenho um pé atrás com estatísticas.

Quando entrei para a faculdade de comunicação social, pensei que estaria livre para sempre do bicho-papão que a Matemática sempre foi para mim.

No primeiro dia de aula, o professor se apresenta: “Bem-vindos, futuros jornalistas e publicitários. Meu nome é Leonardo e serei o professor de Estatística”.

Quase saí correndo. Ele explicou que no primeiro ano apreenderíamos métodos de pesquisa de mercado e que a estatística faz parte desse processo, margem de erro, etc.

Passados quase vinte anos, a Estatística volta a me incomodar.

Como ela tem “costas largas”, serve de justificativa para tudo, principalmente quando está em jogo o lucro econômico e o modo de pensar politicamente correto.

O conto da Carochinha começa assim: “Estatísticas apontam que X por cento das pessoas….”; continua assim: “especialistas apontam que a solução para o problema seria a liberação (ou obrigação, ou a adoção de medidas) diante desse quadro”, e termina com a aceitação de parte da opinião pública (que novas estatísticas “demonstrarão” que é a maioria das pessoas).

O poderoso, permanente e riquíssimo lobby para a legalização do aborto é um exemplo. ONGs e pesquisadores não sei das quantas, patrocinadas pelas mesmas Fundações de sempre, via de regra, brandem estatísticas sobre o “aborto inseguro”. Caso de “saúde pública”. Para inflar números, utilizaram até casos de abortos não provocados.

Isso sem falar nas pesquisas com perguntas que induzem as entrevistadas ao engano, para dar a idéia de que as mulheres aceitam, em sua maioria, a legalização desse crime.

O dono mordeu o cachorro

Outro fenômeno que induz ao erro de percepção também me repete ao primeiro dia de aula na faculdade. O professor de Jornalismo se apresentou e disse que aquilo que é comum não é notícia: “O cachorro morder o dono não é notícia. Já o contrário, é”.

Nesse sentido a superexposição de pessoas com comportamentos que diferem da maioria, dá a impressão de que exceções viraram regra.

Bom exemplo é a matéria de recente capa da Veja, que faz apologia e glamouriza mulheres que optaram por não ter filhos.

A reportagem cita dados (de novo, as estatísticas) do IBGE de que o número de mulheres que chegaram aos 50 anos sem filhos aumentou 20%, e trata isso como algo espantoso.

O dado é tem certa relevância, mas é bem menor do que o fenômeno bombástico propalado na matéria.

A própria reportagem admite que mulher que não quer a maternidade sempre será minoria, mas o texto faz de tudo para mostrar as vantagens de ser do bloco do “eu em primeiro lugar”.

Todas as personagens são sorridentes e “de bem com a vida”.

Não há questionamentos sobre como será a velhice ou a solidão.

Uma capa de revista com mães realizadas familiar e profissionalmente seria bem-vinda. Mas aí o dono não teria mordido o cachorro.

E não há pesquisa e estatísticas encomendadas sobre o assunto.

 

Written by Editor do Blog

5 de junho de 2013 at 17:56

Eles têm capacidade para não apelar

Um amigo colocou no Facebook um vídeo de humor muito inteligente. Nele, um afoito repórter tenta colocar palavras na boca do entrevistado.

O fato de ser jornalista e assessor de imprensa fez com que eu me identificasse com a situação.

Gregório Didivier, o ator que faz o papel do repórter, é de raro talento. Faz rir sem forçar a barra.

Vi que a atração faz parte de um negócio chamado “Porta dos Fundos”.

Pesquisei e vi que eles estão fazendo muito sucesso no You Tube.

Há vídeos com milhões de vsualizações.

Pensei. Que bom que os caras não precisaram apelar para fazer sucesso com humor.

Afnal, não é tão difícil ser engraçado utilizando recursos como palavrões, pornografia, bizarrices e outras apelações.

Infelizmente, me enganei.

Procurei outros vídeos da trupe e me deparei com material bem chulo.

Vi também muito desrespeito com a fé dos outros.

Fabio Porchat, um dos líderes da turma, disse, em entrevista ao Estadão, que é ateu (tudo bem), que acha graça em quem tem fé (os crentes Einstein, Newton e Cia. não devem achar graça) e que só não faz piada com Maomé por ter medo de morrer.

Pena que a única maneira de não ser vilipendiado seja a violência.

Pena que atores tão inteligentes não consigam (ou não queiram) fazer vídeos tão bons como o da entrevista, sem precisar apelar.

Written by Editor do Blog

10 de abril de 2013 at 17:05

O Dinheiro e a Felicidade

Assisti a um documentário, exibido pelo GNT, (“Born Rich” – Nascidos em berço de ouro) e que parte de um mote original. O criador da obra,  Jamie Johnson,  é simplesmente o bisneto do fundador da Johnson & Johnson.  Pensou em retratar um pouco o que se passa no coração e na mente de quem, como ele, nasceu em berço de ouro (e bota ouro nisso! Jovens com fortuna acima de um bilhão de dólares). Os depoentes têm algo em comum, além da abundância de recursos financeiros: a tristeza explícita, que salta aos olhos e chega quase a sufocar.

Há cenas e depoimentos que provocariam horas de reflexão. Ivanka, filha de Donald Trump, manifesta a angústia de não saber se suas amizades são sinceras , ou se as pessoas se aproximam dela por causa do dinheiro. Todos assumem que quem quiser casar com eles, tem que aceitar fazer um contrato pré-nupcial. O avô de Jamie é um exemplo: alterou o testamento, deserdou os seis filhos e transferiu seus 500 milhões de dólares para a terceira mulher, ex-cozinheira da família. No fim, um acordo na Justiça redistribuiu a herança.  

 O pai de Jamie nunca precisou trabalhar. Enquanto pinta um quadro, é questionado pelo filho sobre qual carreira deveria seguir. O pai, sem tirar os olhos da tela, responde, com ar de fastio:  “sei lá, você pode colecionar documentos e mapas históricos!”

 

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Jamie e o pai: fazer o quê da vida?

         

Há três declarações antológicas (ou “antalógicas”):

1)      A assumidamente consumista compulsiva  Stephanie Ercklentz, herdeira de um banqueiro nova-iorquino, explica por que os membros desse clube só namoram e casam entre si: “”Não suportaria que um namorado qualquer me criticasse por pagar 600 dólares por uma bolsa Gucci”, dispara.

2)      Perguntado sobre o que sentiria se perdesse a fortuna, Jack Weil, herdeiro da Autotote, empresa que domina o mercado de apostas em corridas de cavalos nos EUA, cravou: “Seria o mesmo que perder um pai, uma mãe ou um filho. Não consigo nem pensar nessa hipótese. É o tipo de situação que só conseguiria enfrentar caso acontecesse”.

3)      Ivanka Trump ao lembrar a época em que o pai estava endividado: “Saímos de um dos nossos hotéis, meu pai viu um mendigo e me disse: esse homem é seis bilhões de dólares mais rico do que eu”.

Não sei por que, mas me lembrei agora daqueles que não nasceram em berço de ouro, mas ganharam na loteria, e enriqueceram da noite para o dia. Muitos achavam que seus problemas haviam acabado. Mas, na verdade, apenas haviam começado.

O resumo da ópera? Para quem já é feliz sem ele, o dinheiro pode ajudar. Mas, por si só, o dinheiro não traz felicidade. E nem banda buscá-la.

 

 

 

Written by Editor do Blog

30 de janeiro de 2009 at 16:29