Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for the ‘Política’ Category

Tragédia em Paris: Arma de quem discorda deve ser o cérebro

Depuradas as emoções, gostaria de refletir um pouco sobre a tragédia de Paris.
Sou católico. Não conhecia a Charlie Hebdo. Em meio ao horror da carnificina, vi que eles também fazem charges de extremo mau gosto, baixaria mesmo, contra o Cristianismo. Fico indiferente? Claro que não. Cristão digno desse nome não acha graça quando zombam de algo que lhe é tão caro, além de não ver criatividade nenhuma em charges desse tipo. Chamar a atenção utilizando a equação religião + bizarro= repercussão, é coisa que qualquer um é capaz de fazer. Mas a grande arma de quem discorda deve ser o cérebro. Refletir, debater, questionar, sempre no âmbito das ideias. Propor. Não impor.
Discordo de quem usa o caso para generalizar: “nenhuma Religião presta”. Falando da minha, noves fora os lunáticos e inimigos internos e externos, é inegável o legado do Cristianismo à civilização. Das Universidades aos hospitais; da Arquitetura às Artes Plásticas; da Música à Economia, etc.
No plano pessoal, o Cristianismo bem vivido confere aos que o vivemos serenidade, paz e preocupação com os demais. Impossível ser bom católico e mau profissional, ou seguir sinceramente a Cristo e ser um mau pai, por exemplo.
Por outro lado, discordo também de alguns cristãos facebookianos que quase justificam a barbárie, na linha do “eles provocaram”, “sabiam com quem estavam mexendo”, etc. O que é isso? Como justificar o injustificável?
O massacre não muda minha opinião sobre a baixa qualidade do trabalho da Charlie Hebdo. Mas a liberdade é uma herança da civilização ocidental. Espero que tudo isso sensibilize a comunidade internacional para os massacres que os cristãos sofrem em países de maioria islâmica, genocídio que não desperta a mesma comoção. O terror, esse sim deve ser combatido com energia. Não nos acovardemos diante do fundamentalismo.Linha Bioleve zero - 1,5L (reto)

 

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16 de janeiro de 2015 at 14:50

Do Racismo à Cristofobia

As ofensas racistas dirigidas por alguns torcedores do Grêmio ao goleiro Aranha, do Santos, receberam a justa indignação da sociedade. A incessante divulgação do ato, simbolizada na torcedora flagrada pelas onipresentes câmeras de televisão, disseminou a discussão sobre essa prática abominável e frequentemente dissimulada.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja Católica que dedica alguns tópicos sobre o racismo. Nele se lê, por exemplo, no parágrafo 144: “ Deus não faz distinção de pessoas» (At 10, 34; cf. Rm 2, 11; Gal 2, 6; Ef 6, 9), pois todos os homens têm a mesma dignidade de criaturas à Sua imagem e semelhança… e uma vez que no rosto de cada homem resplandece algo da glória de Deus, a dignidade de cada homem diante de Deus é o fundamento da dignidade do homem perante os outros homens. Esse é o fundamento último da radical igualdade e fraternidade entre os homens independentemente da sua raça, nação, sexo, origem, cultura, classe.”

Todos nós, brancos ou negros, amarelos ou vermelhos, refletimos a glória do nosso Pai comum. Lato sensu, todos, nós, ricos e pobres, letrados ou analfabetos, homens e mulheres, crianças ou idosos, somos como as cores que se desprendem do prisma do Criador. Todos iguais na dignidade de sermos humanos. Nesse sentido, a Doutrina Social da Igreja declara, no parágrafo 433, que “de modo particular, é moralmente inaceitável qualquer teoria ou comportamento caracterizado pelo racismo ou pela discriminação racial”.

Triste pensar que muitos dos que se declaram cristãos tragam em seu DNA pensamentos e comportamentos racistas, não necessariamente ofendendo abertamente àqueles que julgam serem inferiores, mas através de ironias, piadas e discriminações veladas.

Coloco um ponto final na questão dessa chaga justamente combatida pela mídia, e abro aspas para começar falando sobre outro tipo de discriminação, perseguição até, que presenciamos em nossa sociedade: a “Cristofobia”.

A justa indignação só é despertada pelos arautos da pós-modernidade quando a ofensa é de cunho racial, comportamento sexual e até religioso, desde que a vítima seja de fé tida como minoritária. Quando o objeto de vilipêndio é a fé cristã, a maioria dos formadores de opinião se cala com a mordaça do laicismo. Como se isso não bastasse, com frequência vão além do silêncio cúmplice e aplaudem, por exemplo, manifestações “artísticas” que zombam de dogmas que julgam obsoletos. Como se também isso não bastasse, vão ainda mais além: quando alguns, infelizmente, poucos, cristãos reagem a esse tipo de intolerância, são rotulados como “fanáticos”.

Isso vale também para a agenda eleitoral. Cobram-se dos candidatos agendas políticas públicas para as minorias, mas ai de quem quiser defender causas como as da família tradicional, a liberdade religiosa ou o direito à vida, desde a concepção até a morte natural. Combatamos todos os preconceitos. Não apenas os que o politicamente correto aplaude.

Linha Bioleve zero - 1,5L (reto)

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30 de setembro de 2014 at 15:38

Vexame na Copa é reflexo do país

Em plena ditadura militar, quem discordou do regime disse que se sentou diante da TV para assistir à estreia do Brasil, na Copa de 70, para torcer contra a seleção. No primeiro drible de Rivelino, às favas a ditadura. Torceu freneticamente pelo Brasil, mesmo sabendo que a vitória no México renderia dividendos ao governo.

Sou assim também. Não consigo torcer contra o Brasil. Não me importa quem esteja no poder, os problemas sociais, éticos ou morais que estejamos atravessando, sempre torcerei pela amarelinha.

Mas veio a derrota acachapante. Humilhante. Esmagadora.

E como esse esporte é tratado como fenômeno cultural no Brasil, transcendendo a esfera esportiva, permito-me a digressão para outros setores.

Faltou a beleza sempre esperada quando o futebol brasileiro entra em campo. Mas essa beleza está ausente também fora do gramado. O bom gosto, a valorização do talento, da decência, de valores mais nobres tirou férias do Brasil faz tempo.

Um país que exalta idiotas como os da Porta dos Fundos, que encara rolezinhos como legítima manifestação social, que ataca a polícia e defende black blocs, não merece se destacar em nada.

Um país onde meia-dúzia de gatos pingados paralisam grandes cidades para protestar contra qualquer coisa, impedindo o direito de ir e vir de quem não é financiado para ir a manifestações, não merece capitalizar a conquista do Hexa.

Um país em que pais e mães de família, assistem, sem constrangimento, ao lado de seus filhos e filhas, à novelas que fariam corar o mais devasso imperador romano, não jaz jus ao deleite sadio do esporte.

Outra coisa que me incomoda é o fato de o brasileiro contrapor planejamento, método, com a improvisação. Como se o jeitinho brasileiro, a flexibilidade do nosso “way of life” fosse algo que quebrasse a rigidez matemática desses CDFs europeus ou japoneses. Mas é exatamente o contrário. Se nossa capacidade de improviso fosse alicerçada com a segurança que o planejamento proporciona, seríamos imbatíveis em quase todos os setores. Mas não. Não prevemos nada. Driblamos as consequências.

Mais ou menos como acontece em São Paulo. O transporte público da cidade é um lixo. Qualquer cidadão que consegue juntar 4, 5 mil reais, compra um carro velho, que é muito melhor do que ficar enlatado em sucatas em forma de ônibus. Como consequência, o trânsito fica ainda mais caótico. O que faz o prefeito? Pinta uma faixa para ônibus no asfalto, proíbe, com multas leoninas, os “burgueses” que tem carro de invadir o espaço, e faz de conta que resolveu o problema.

Voltando o pêndulo para o futebol, resolvemos o jogo de estreia com uma farsa; um pênalti forjado. Mais um reflexo do que ocorre na sociedade. Ancorados no governo que há séculos cria dificuldades para vender facilidades, tornamo-nos o país do “caixa 2”, da “caixinha”, da “cervejinha”, da extorsão. O péssimo exemplo de políticos de todos os matizes escorre lá de cima, como enxurrada de lodo fétido até a base da população, que se escora em bolsas assistencialistas para, de um lado, ganhar dinheiro sem esforço e, de outro, continuar presa fácil dos novos coronéis de nossa política.

Perdemos, fragorosamente, um jogo de futebol. Mas, muito pior, perdemos, cada vez mais, no cotidiano “deste país”.

Imagem ômega3

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14 de julho de 2014 at 10:22

A Patrulha venceu. Calaram Sheherazade

Rachel Sheherazade terá que ser uma boneca de ventríloquo.

A paraibana arretada, a Rachel  “Sem-Medo”, dará lugar a Rachel mera leitora de teleprompter.

Quando saiu de férias, cresceram os boatos de que havia sido demitida  pelo SBT.

Quero me penitenciar, já que não acreditava nisso.

Ela não saiu, mas “saiu”.

Poderá apenas ler as notícias.

Terá que morder a língua ao ler as justificativas de Dilma para as Pasadenas da vida, a gastança da Copa ou os desdobramentos Vargueanos.

Não a conheço pessoalmente, mas acho que, como mulher de brio que aparenta ser, não vai tolerar essa situação por muito tempo.

Rachel nasceu para dar voz à maioria silenciosa.

Não para ser um rostinho bonito ou como ex-modelos que sabem ler teleprompter, que o SBT já tem aos montes.

O silencio imposto a Sheherazade tem o condão de atingir não apenas à mais amada e odiada âncora da TV; trata-se de um “cala a boca” prévio a todos os que querem dar opiniões contrárias aos donos do poder.

Discordei de algumas opiniões dela, mas lamento que a patrulha tenha vencido. O fim da censura na TV serviu apenas para liberar a pornografia e a violência, já que a mordaça ideológica está vivíssima e lembra os tempos da ditadura.

Cuba e Venezuela são logo ali.

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15 de abril de 2014 at 18:08

A internação pode ser a última chance para o viciado

crack

Em meus tempos de repórter, conheci muitas clínicas de recuperação. Seus pacientes, suas histórias.

O primeiro passo é que o paciente queira se livrar das drogas.

Essa constatação pessoal só é possível em momentos de abstinência, quando se está afastado do ambiente que oferece a droga.

O segundo passo é que a família não tenha dó ou passe a mão na cabeça do filho, marido, esposa ou irmão dependente químico.

O verdadeiro amor exige e não é complacente com a autodestruição do amado.

Quando se pensa em alguém que vive nas ruas consumindo drogas pesadas, via de regra afastado da família, a internação compulsória pode ser a última chance.

Quem é contra, quase sempre defende a liberação das drogas e não quer que o adicto seja internado compulsoriamente.

Das duas, uma: ou acham que a droga é boa, ou querem que um dependente químico, chapado, ligue para uma clínica e diga:

“Alô, sou viciado em crack e gostaria de largar a droga. Posso ser internado aí?”

Surreal.

Written by Editor do Blog

22 de janeiro de 2013 at 14:18