Blog do Roberto Zanin

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Um Conto de Fadas real. Elis ressurge na Filha

Era uma vez a melhor cantora de um Reino, que emocionava a todos com sua voz, seu carisma e sua força interpretativa. Essa cantora tinha dois filhos homens, mas mesmo amando-os com amor de mãe, ficou como que enfeitiçada quando teve a primeira filha.
Amava a condição feminina, a força vital e o poder gerador da maternidade.
Viu na sua menina, parecidíssima com ela, estrábica como ela, um espelho que desejava fosse polido e cuja imagem não carregaria seus fantasmas internos.
E eis que a Rainha da voz, que transformava os sonhos e esperanças do reino em trinados e vibratos pungentes, foi chamada para cantar na eternidade; seu talento atingira tal dimensão que suplantara os limites do finito.
Seus súditos ficaram órfãos. Afinal, muitas cantoras tentaram, mas ninguém conseguiu saciar o vazio deixado por sua precoce partida.
Mas havia uma semente. Um rebento. Fruto gerado com amor e no amor, com DNA da rainha e também do pai, que melhor do que ninguém sabia, com sua música, acarpetar o caminho para que as notas da diva alcançassem o céu.
A semente brotou, vicejou, cresceu, amadureceu. E se tornou… cantora.
Humilde, independente, já mostrava muito talento, mas apesar de a genética traí-la, ocultou a mãe sob o véu da reverência.
Mas qual rio que se encaminha inexoravelmente para o mar, decidiu homenagear a Rainha, mãe.
Isso não é um conto de fadas. Apesar de utopicamente linda, essa estória é uma história.
Elis Regina vive.
Vive no talento, na voz, na postura, na garra, na entrega e na intensidade de sua filha, Maria Rita.
E como tudo isso não é ficção, vamos à realidade.
Minha mulher, não obstante a juventude, até pela aguda sensibilidade e gosto musical, gosta de Elis. Por acaso, vimos na internet um vídeo da Turnê “Viva Elis”. Graziella “surtou”.
Ficou emudecida, sem palavras. Aflorou em sua nobre alma um sentimento muito intenso. Mais do que se tornar fã, ela tem certeza de que entende tudo o que sente Maria Rita, não só no palco, mas até fora dele, mesmo à distância.
E chegou o grande dia (ou a grande noite).
Fomos ao show dela, no Credicard Hall, no dia da gravação do DVD da turnê “Redescobrir”.
O que vivenciamos foi onírico, inefável; logo, indescritível.
Como ela, grávida, consegue cantar com tanta energia? E durante quase quatro horas? Encerrado o show, teve que refazer umas seis ou sete canções, como se fosse da primeira vez, para o DVD.
O que diferencia um artista e um mito é que o mito não apenas canta, mas “incorpora” a música.
Elis fazia isso. Maria faz isso.
Cada canção é uma história de 3, 4 minutos, com começo, meio e fim, e é incorporada.
As lágrimas afloram na artista e no público.
Tudo vindo. Lembranças da mãe, a intensidade das letras e a emoção de saber que Deus lhe deu o dom à altura de redescobrirmos um mito na voz de outro.
Sim, Maria Rita já é um mito, não apenas por ter sangue real.
É mito por que canta – interpreta – maravilhosamente.
Lembra a mãe, mas tem características que são só dela, Maria. Tem uma espécie de veludo na voz, além de um trovão que prorrompe quando se faz necessário ao interpretar canções que não são para cantoras apenas “corretas”.
A noite, de sonho, quase se tornou perfeita. Surgiu a chance de conhecermos Maria Rita.
Usei minha prerrogativa de jornalista (pecado confessado) e entramos em direção ao camarim.
Mas a gravidez, as quatro horas de show, a estafa da entrega, fizeram com que um gentil assessor nos pedisse desculpas. Ela precisava descansar. Entendemos e esperamos um dia ter essa dádiva de conhecê-la.
Maria Rita, se você ler isso, saiba que em nossa família sua missão foi cumprida.
Redescobrimos Elis.
Não apenas nós, mas nossos filhos pequenos. O de dois anos, por exemplo, canta “cacaraquaquá,…”

Written by Editor do Blog

17 de agosto de 2012 at 16:30

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