Blog do Roberto Zanin

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A Educação deve tocar o coração dos filhos

Dora Porto: "Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem".

Dora Porto: “Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem”.

A educadora Dora Porto, Master em Matrimônio e Família pela Universidade de Navarra, Espanha, acredita que os pais devem educar não apenas a inteligência, mas também o coração dos seus filhos.  É no coração, afinal, que nascem os bons (e os maus) desejos e, nesse sentido, ajudá-los a ter um coração puro, significa que agirão de forma a amar a si mesmo e ao próximo. Sobre esses pilares, saberão discernir o que é bom e o que é ruim, e serão pessoas de bom caráter. Diretora do Colégio Catamarã Vita, em São Paulo, Dora, autora do livro “Pais inteligentes, filhos resolvidos”, lembra aos pais que a autoridade é um serviço e não um poder.

  • Por que é tão importante que os pais eduquem não apenas o intelecto, mas o coração das crianças?

Todos os pais certamente se preocupam e sabem perfeitamente o que é educar a inteligência de seus filhos. Mas e o coração?  Educar o coração é conservá-lo bom, puro, livre de contaminação. Todos fugimos da contaminação. Queremos água pura, alimentos frescos, comida orgânica, ar puro, muito verde, e por quê? Porque hoje sabemos que essa pureza torna nossa vida longa e saudável.

Mas será que o nosso coração não está sofrendo uma sistemática contaminação?  Quando me refiro ao coração, não estou me referindo ao sentimento, mas ao mais íntimo de nós mesmos. Ao território onde Deus habita, no mais profundo do nosso ser onde não há espaço para duplicidade.

O coração que é a fonte dos motivos que movem nossas ações; de onde nascem os bons desejos; onde se inspiram nossas decisões.

Da mesma forma, se o nosso coração se contamina, toda a pessoa fica contaminada. E de um coração contaminado o que surge?

Surgem maus pensamentos, fornicação, roubo, homicídios cobiça, maldade, fraude, desonestidade, inveja, soberba. Exagero? É só conferir em Mc 7, 21-23.

E como se contamina o coração? Quando desejamos as coisas dos outros, quando nos entristecemos pelos triunfos de alguém, quando se tem atração pela mulher do outro, quando damos muita importância ao nosso próprio eu. Não será que é esse o conteúdo que a mídia oferece aos nossos filhos diariamente?

  • É possível promover o bom caráter dos filhos? Como?

Não só é possível, mas desejável. É preciso educá-los não só para fazer o bem, fazer as coisas bem feitas, mas gostar de fazer o bem. Ou seja, não basta fazê-los obedecer, respeitar, esforçar-se, mas perceber a satisfação que temos quando conseguimos nos vencer, vencendo o comodismo, a preguiça e até o medo de errar! Nós, pais, temos muita pena de nossos filhos e com isso acabamos tornando-os pessoas fracas no bem. Pessoas sem garra, que sucumbem ao primeiro desafio. Pessoas contaminadas, sem virtude, sem têmpera. A virtude é justamente essa força na vontade que nos faz bons, esse hábito adquirido com o esforço repetido e que vai nos transformando desde dentro. Ficamos mais refratários a influências nocivas, mais firmes nos nossos critérios, mais valentes à hora de tomar decisões.

Um pai que ama de verdade seu filho, não lhe facilita demais a vida.

  • Como os pais podem ajudar o filho ou a filha a refletir quando estes agem mal?

O que mais ajuda é manter um canal de comunicação aberto. Os filhos precisam saber que podem contar com seus pais em qualquer situação. Pais que mais escutam do que falam, que não se surpreendem, nem se escandalizam. Pais que saibam levar os filhos a refletir sobre seu comportamento e tenham zero de tolerância para ódios e vinganças.

Não podemos estar centrados apenas no “corrigir”. É preciso adiantar-se, extrair deles o que pensam de cada situação. Educar é extrair de dentro aquilo que eles têm de melhor. É preciso muita fortaleza, muita paciência e, sobretudo, perseverança dos pais para não desistir. É exigir com firmeza, mas com muito carinho, fazendo-os ver que a exigência é uma forma de amor, que eles não entenderão no primeiro momento.

  • Quando cometem algum erro os pais devem pedir desculpas aos filhos ou isso afeta a autoridade deles?

É bom sempre recordar que a autoridade é um serviço e não um poder. Não é difícil que nós, pais, abusemos da nossa autoridade movidos pelas nossas emoções, nossos caprichos. É muito importante que tenhamos a humildade de reconhecer se abusamos. Pedir desculpas não só não desautoriza o pai como dá ao filho um excelente exemplo.

  • Como agir quando percebemos que os filhos alimentam sentimentos ruins como inveja, ciúmes, rancor, etc.?

Em primeiro lugar, não se escandalizar. Sentir, todos podemos, pois não temos a liberdade de evitar os sentimentos. O que podemos fazer é governá-los com a inteligência. Portanto quando percebemos esses maus sentimentos em nossos filhos, precisamos ajudá-los a pensar naquilo que estão sentindo e, sobretudo, na sua conduta. É bom fazê-los ver que podem sentir raiva, mas não precisam agir com raiva; podem sentir ciúmes, mas podemos ajudá-los a refletir sobre a causa do ciúme e sua conduta será diferente. Frases como: “Vamos pensar juntos, filha”, tem mais efeito do que alguns minutos de sermão.

  • De que forma os pais podem incentivar os filhos a cultivarem o perdão?

Não existe uma fórmula mágica para que os filhos aprendam a perdoar. Principalmente porque o perdão é algo divino. É natural que as crianças reajam quando são agredidas. Nós, adultos, se formos pelo caminho unicamente natural, teremos a mesma reação. É importante fazê-los perceber que perdoar é dar uma nova chance ao agressor. É encaminhar para Deus o julgamento. É libertar-se. Precisamos mostrar-lhes que quando ficamos ressentidos, na maioria das vezes somos nós os que permanecemos sofrendo, enquanto que o agressor nem ao menos imagina que nos ofendeu. Os filhos precisam experimentar o perdão. Experimentar o perdão dos pais e experimentar perdoar. Não é uma questão de raciocínios.  “No lar onde não se pede desculpa, começa a faltar o ar”, nos diz o Papa Francisco.

  • Quando se fala em guardar o coração, pensamos nos meios de comunicação que difundem programas, músicas e filmes com conteúdo impróprio. Como os pais devem lidar com isso?

Podemos criar um “no-break” no coração dos nossos filhos. Se vivemos em casa a generosidade, o agradecimento, a honestidade, a simplicidade, a transparência, as boas intenções, o amor plasmado em atos, vamos construindo e educando seus corações e tornando-os mais resistentes a esses ataques. Saberão distinguir e filtrar o tóxico. Saberão que o bom, o gostoso, nem sempre é o bem. Aprenderão na prática diária a resistir ao mais fácil. Para isso terão que contar com nosso incentivo, nosso exemplo, mais do que com nossas “broncas”, nossos sermões.

  • Que mensagem você daria aos pais?

Sou diretora no Colégio Catamarã Vita, e o que mais nos surpreende é constatar a dificuldade que os pais têm para ser mais firmes com seus filhos. Com a melhor das intenções facilitam demais a vida deles. Têm muito receio de dizer “não” e com essa atitude vão transformando seus filhos em “merengues” como se referia o Dr. Rafael Pich, um grande educador. A mensagem que eu daria aos pais é que “SAIBAM TIRAR PROVEITO DA CRISE”. Ou seja, em tempos de crise econômica como todos estamos vivendo, é muito mais fácil dizer “não”.   Pouco a pouco veremos que não acontece nada se os contrariamos. Ou melhor, acontece sim, pois acabam se tornando mais fortes às frustrações e menos suscetíveis às contrariedades. E dessa forma seu caráter se vai forjando até adquirir a forma do que seria, como diria Michel Sparza, no livro “Sintonia com Cristo”, a “pessoa ideal: que combina a mente clara do engenheiro, a vontade forte do atleta e o coração ardente do poeta.”

 

Linha Bioleve zero - 1,5L (reto)

 

 

 

 

 

Written by Editor do Blog

24 de novembro de 2015 at 16:12

Publicado em Educação, Família

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