Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for janeiro 2014

O fanatismo fundamentalista do grupo Porta dos Fundos

 

A pior forma de intolerância é aquela travestida de “modernidade”.

Quando a avassaladora onda do politicamente correto invadiu o Brasil, logo percebi que a pior intolerância é a “intolerância dos tolerantes”.

Há alguns meses, um amigo compartilhou no Facebook um vídeo do grupo Porta dos Fundos, satirizando um repórter que deduzia o que o entrevistado queria dizer e acabava colocando palavras na boca da “vítima”.

Pensei: “Que bom que eles não precisam apelar para fazer sucesso com o humor.”

Não há coisa mais retrógrada e obscurantista que tentar ser engraçado utilizando recursos como palavrões, pornografia, bizarrices e apelações de cunho religioso para chamar a atenção.

Infelizmente, me enganei.

A marca dessa turma vai além da baixaria. Vi também muito desrespeito com a fé dos outros.

Fabio Porchat, um dos líderes da trupe, disse, em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo, que é ateu, que acha graça em quem tem fé, e só poupa uma Religião de suas piadas: “Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso (risos). Mas, de um modo geral, a gente vai fazendo, vai falando”, assume.

Recuso-me a imaginar que, em pleno terceiro milênio, a única maneira de não ter sua fé vilipendiada seja a violência.

Dia desses, no Programa “Na Moral”, da Rede Globo, ao falar sobre piadas com Religião, o insuspeito Renato Aragão disse, com candura, a Gregório Duvivier, outro membro do Porta dos Fundos: “A gente não precisa disso para fazer humor. Acho que agride criticar a Religião da pessoa. Muçulmano, Católico, Evangélico, tudo. Não precisa.”

Gregório discordou e, perguntado por Renato, disse que não tem Religião.

“Então você está a caráter para falar, desde que não agrida a Religião das outras pessoas”, aconselhou Aragão.

Para se justificar, o jovem disse que o grupo é a favor das “minorias”, que as Religiões “são ricas, têm até bancada na Câmara, etc.

Em artigo na Folha de São Paulo, Duvivier generaliza. Dá a entender que todo mundo acha normal e até incentiva que se façam piadas com as religiões que são minoria no Brasil, mas condenam que se brinque com o Cristianismo.

Discordo.

Pode até haver quem pense assim, de forma preconceituosa, que não se importe com a ofensa à fé alheia; mas a grande maioria quer respeito e sabe que este é o alicerce da liberdade religiosa, um dos pilares da democracia e do Estado Laico.

Há muita intolerância e ódio à Religião nos programetes porta-fundianos

Destaco dois.

A história da mulher com a imagem de Cristo gravada nas partes íntimas e um “especial de Natal” em que Deus Pai, Jesus, Maria, José são vilipendiados de forma grosseira.

Nesse “especial”, os cristãos são tachados como burros e ignorantes, quando o personagem “Deus” diz que as pessoas acreditam em qualquer coisa, por mais absurda que seja.

Os gênios e luminares do conhecimento Porchat, Duvivier, Tabet e Cia. incluem, no rol de idiotas, Einstein, Newton, Edison e a plêiade de cientistas que acreditam em Deus.

O que a turma faz não são simples piadas de mau gosto.

Eles chocam, ofendem, vilipendiam.

A democracia não concebe fanáticos religiosos.

Mas também não contempla “religiofóbicos”.

A estrada que queremos pavimentar, com tolerância e respeito às diferenças, é uma via de mão dupla.

Written by Editor do Blog

15 de janeiro de 2014 at 15:51

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