Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for agosto 2013

“Me conta uma história?”

                                                                                                                                                                                                                       

Em nossa casa diariamente reunimos as crianças para ouvir um conto antes de se deitarem para seu repouso vespertino. Elas, como eu, ficam impacientes e excitadas para escutarem e imaginarem o que lhes será narrado. Contar uma bom conto exige esforço de interpretação nos olhares, nos gestos e principalmente na entonação da narrativa. Aqui as palavras tem poder transformador. Camponeses, princesas, animais extraordinários, utensílios mágicos, destinos trágicos, finais heróicos, vida e morte são os elementos entrelaçados nesse momento em família. Fomentam a imaginação dos pequenos e como eu e minha esposa, nossos pais, avós, bisavós e a longa linhagem ascendente sempre atestaram a importância desse ato de “contar estórias” como fundamental para a formação de virtude e caráter.

Mas nos tempos atuais, com toda a praticidade e rapidez da sociedade tecnológica, contar estórias parece algo obsoleto. Há um bom tempo que a contadora de estórias para as crianças tem sido a televisão que com tanto aparato de cores, formas, sons e dramatismo ofusca as palavras contadas ou as gravuras estáticas dos livros. Não é minha intenção fazer pouco das novas mídias que utilizamos, pois todas tem seu mérito. Mas me perturbou algo que vi há um tempo atrás. Meus filhos ganharam de presente um cachorro de pelúcia de brinquedo que tem a propriedade de “ouvir” e reconhecer certas palavras chave para “falar” e dar uma resposta. Eles gritavam em uníssono ao cachorro “- Me conta uma história!” ou ” – Me conta uma piada!” e o mecanismo dentro do cachorro era acionado e esse fazia uma (pobre) narrativa enquanto a boca do pelúcia se movimentava simulando que estava a falar. Não foi propriamente o brinquedo que me causou perturbação, mas a ânsia das crianças em receberem uma narrativa, mesmo que tal atenção seja dada por um cão de pelúcia que só mexe a boca e o rabo.
O ser humano necessita ouvir estórias, principalmente num mundo no qual tudo se resume a interagir com qualquer tipo de ecrã ruidoso. No mundo dos livros infantis hoje também deparamos com o mesmo paradigma da uniformização tecnológica. As estórias estão padronizadas – gostos e identificação dos personagens são muito semelhantes. Os dilemas existenciais dos personagens são minimizados a ponto de parecerem robôs. Não se aborda mais temas como o envelhecimento, a morte, o desejo da vida eterna, a alteridade dos heróis que com suas características e diferenças tentam galgar sua vida com otimismo e autonomia em busca de encontrar respostas e soluções.
Esses contos antigos ainda estão a sofrer todo tipo de aniquilamento. Foi bem noticiado nos jornais a polêmica que movimentos de raça negra estão a mover contra os livros de Monteiro Lobato, os quais qualificam de racistas. Na Europa do pós guerra os ocupantes americanos na Alemanha literamente queimaram inúmeros livros infantis, inclusive obras raras dos Irmãos Grimm foram perdidas para sempre sob a alegação que deviam reeducar e purgar o espírito alemão do mal. Ainda na Europa, o Parlamento Europeu em Bruxelas, através da absurda Comissão dos Direitos da Mulher e Igualdade dos Gênero, quer abolir das escolas ou no mínimo temperar a influência das obras literárias infanto-juvenis que atribuem papéis “tradicionais” aos elementos masculinos e femininos da família. O pretexto é de que os “estereótipos negativos de gênero” minem a “confiança” e a “auto-estima” das jovens, limitando as suas “aspirações, escolhas e possibilidades para futuras possibilidades de carreira”.
Diantes de tudo isso gostaria de parafrasear as palavras de São Josemaría Escrivá: “-Formar bem os filhos é a tarefa mais importante que nós temos em nossas vidas.” De fato, se deixarmos que os canais de televisão infantis, que os videogames, ou mesmo que os governantes determinem o que nossos filhos devem aprender ou mesmo apenas escutem estórias da boca de um cachorro de brinquedo estaremos falhando colossalmente nas nossas vidas.

(Por Rodney Rodrigues)

Written by Editor do Blog

28 de agosto de 2013 at 17:15

Era “apenas” homem; agora sou também pai

 

 

Ser homem significa ser eternamente coadjuvante.

Na Igreja, ficar em, pé diante do altar, sem graça, enquanto todos aguardam a entrada da noiva.

E, na hora do parto, as estrelas são o bebê e a mãe.

De uns tempos para cá, o pai pode assistir Ao parto (não O parto, a não ser que ele seja o anestesista).

Momento em que ele se sente mais coadjuvante ainda.

“O Sr. Entra ali, coloca este avental, este protetor para o sapato e esta touca. Depois, o Sr. aguarda quietinho até o doutor chamar”.

E quando o doutor chama, já está quase na hora de experimentar uma alegria inefável.

Eu, que trabalho com palavras, não consigo achar alguma que a expresse.

O primeiro filho significa que você deixa de ser menino, moleque, deixa de ser homem para se tornar pai.

A partir daquele instante, que na verdade, começa quando o teste de gravidez dá  “+”, sua vida não será mais a mesma.

E isso não é uma simples frase feita.

A vida muda mesmo.

Não serão apenas as noite mal-dormidas, os sobressaltos constantes e as preocupações com os meninos, que durarão mesmo depois que os meninos não forem mais meninos( mas que, para nós, sempre serão).

A vida mudará de rumo.

Acabará o “eu”.

Virá o “eles, elas”.

Virá o “comer um pedaço de pizza e uma bola de sorvete a menos porque perceberei que ele ou ela está com vontade”.

Aumentará a capacidade de engolir sapos dos mais diversos tamanhos, já que agora, não sou apenas eu que sofrerei as conseqüências dos meus atos.

Terei que aprender a conviver com uma dor pungente, diferente de todas as demais, quando algum deles fica doente.

Virão os constantes diálogos interiores, quase sempre se questionando: “será que agi bem? Será que estou sendo um bom pai?”

Ah, como é infinita a estrada que separa o ser homem do ser pai.

Ser pai faz com que compreendamos porque nossos pais agiram daquela forma, que à época, não entendemos.

Ser pai aumenta a capacidade de perdoar os nossos próprios pais por seus defeitos que, quase sempre, afloram também, depois, em nós.

E amar ainda mais o pai que já está com o PAI.

Ser pai significa experimentar Amor com “A” maiúsculo.

Amor generoso, desprendido.

Carregar o filho enquanto tivermos forças.

Acompanhar o filho enquanto houver caminho.

Entregar o filho ao mundo para que seja pessoa do bem.

E, se Deus assim o quiser, para que seja um pai melhor do que eu fui.

Voltando ao destino do homem, de ser coadjuvante.

Há um momento em que deixamos de sê-lo.

Quando seu filho, sua filha, olha para você com aquele olhar que diz tudo, numa fração de segundo.

Quando você lê nos seus olhos que ele olha para a única pessoa entre bilhões que pode chamar de “pai”…

Você respira fundo e pensa: “Sou o protagonista dessa história de amor”.

E apesar de todas as incertezas, experimentarei a serenidade de saber que, apesar dos erros cometidos, quase sempre querendo acertar, meus filhos podem dizer, com certeza eterna :

“Meu pai sempre me amou”

 

 

 

 

Written by Editor do Blog

9 de agosto de 2013 at 17:05

Publicado em Cotidiano

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