Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for julho 2013

Os idosos de sempre

(Por Rodney Rodrigues)

Querem ausentá-los mas eles não se ausentam.

A sociedade coloca-os nos jardins, por inúteis,

mas não o são; e recordam-se e fazem correr os rosários das memórias, e martirizam-se com as dores no corpo e as dores na alma, estas as piores de todas elas; são deixados, mesmo que, aparentemente, os não deixem; por vezes desorientam-se e perdem-se nas ruas. Os nossos idosos foram tipógrafos, motoristas, carpinteiros, construíram prédios e barragens, navios e pontes; as suas mãos tornearam a madeira e escavaram as montanhas e montaram os vagões dos trens e fizeram as colheiras e afagaram-nos e tiveram-nos ao colo, protegem-nos, vigiam-nos, nossos pais, nossos avós. Os nossos idosos.
O polimento secular da bestialidade fizera das relações humanas um traço de civilização. Os celtas atiravam os idosos dos penhascos, porque incômodos, e já não eram precisos. Os laços sociais que se foram estabelecendo não impediram as guerras e as atrocidades inomináveis. A educação e a harmonia de costumes não são dados adquiridos, e o poder de uns sobre outros é um elemento da luta de classes. Os homens são bons, quando novos, apenas porque produzem. Velhos, deitam-nos para o lixo.
A regressão dos sentimentos e das atitudes, impulsionada pelos novos modelos sociais que nos impõem, desemboca em múltiplas incertezas. O desprezo pelos idosos é uma das variantes dessa regressão, que não nos propõe outros valores. E indica que temos de enfrentar um desafio moral delicado, com que seremos, inevitavelmente, confrontados. O conceito de família, tal como o conhecemos, tem sido aniquilado pelas novas leis de valor. Mas estas leis não significam que sejam as melhores. Pelo contrário.
As doutrinas do mercado estão a reduzir a pó o modelo europeu de sociedade, até agora o mais harmonioso porque o mais humanizado. Será preciso redefinir as bases do contrato social?
Deitar os idosos fora, abandoná-los em caricaturas de asilos ou nos gelados corredores dos hospitais parece característica do tipo de sociedade em formação. Aprender a conhecer é aprender a fazer e a viver em conjunto. Remover os idosos do nosso carinho e dos nossos afetos, é removermo-nos a nós próprios da condição humana. Querem ausentá-los, mas eles não se ausentam. Estão ali, muito mais atentos do que se possa presumir. Eles são a memória de todos, a nossa pessoal memória, e a nossa certeza do que fomos para entendermos o que seremos.
Extorquem tudo aos velhos. Não se queixam, mas não afrouxam. Ei-los. Estão aqui e ali. São nosso tesouro, tal qual a enciclopédia empoeirada na prateleira a qual a vista acostumou-se a identificar como mero adorno porém nossa referência de conhecimento, tradição e orgulho de antanho. Valores imortais propositalmente sonegados numa sociedade onde as palavras assim como os brancos cabelos perderam seu significado.

Written by Editor do Blog

26 de julho de 2013 at 10:30

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O que os não crentes ganham com a JMJ

A esperança de um mundo melhor está numa juventude sadia, com valores, responsável e, acima de tudo, voltada para Deus e para o próximo.” A frase acima não vem com o selo de nenhuma religião específica. Vou além. Mesmo quem não acredita em Deus, creio, achará nobre a mensagem de que o jovem deve sair do egoísmo e voltar-se para os demais.

“A liberdade não quer dizer gozar da vida, considerar-se absolutamente autônomo, mas orientar-se segundo a medida da verdade e do bem, para chegar a ser, desta maneira, nós mesmos, verdadeiros e bons.” E essa assertiva, pode ser dirigida a toda a juventude ou apenas aos fiéis de uma religião específica? Profundas palavras que levam o adolescente a refletir sobre o que é a real liberdade.

A frase que abre este artigo é do beato João Paulo II, que idealizou as Jornadas Mundiais da Juventude. A sentença do parágrafo anterior é do papa emérito Bento XVI (um dos maiores intelectuais do nosso tempo), proferida na JMJ de 2005, em Colônia (Alemanha).

O caráter das JMJs transcende o catolicismo. É claro que um dos objetivos é estimular os católicos para que vivam melhor sua fé. Mas o que motivou João Paulo II a instituir esses multitudinários encontros foi o desejo de levar todos os jovens à reflexão sobre o sentido de suas vidas. “Para que estou neste planeta?” Eis um questionamento que aflige a condição humana. Crentes e não crentes buscam a resposta a essa pergunta, que não se encontra na superfície do prazer, do instantâneo, do fugaz, do efêmero.

Nesse sentido, discordo de quem protesta contra o dinheiro investido pela prefeitura e pelo governo do Rio de Janeiro na infraestrutura do encontro para, por exemplo, garantir atendimento médico aos cerca de 2 milhões de jovens que deverão estar na Jornada – evento que não cobra ingresso, diga-se de passagem.

O laicismo, de braços dados com o ateísmo, posa como “neutro” e “racional” em oposição a esse investimento, que é tão louvado quando se destina a outras causas, não religiosas, mas que também têm conteúdo ideológico-moral (ou amoral; ou imoral). Não há neutralidade nem racionalismo nesse plano terreno. Todos agem segundo suas convicções. E, se é fanatismo impor crença a quem não a quer, a aversão à religião é o outro lado da moeda da intolerância.

Percebeu isso o célebre filósofo ateu Jürgen Habermas. Até os anos 80, ele defendia a visão marxista de que a religião seria “alienante”. Agora, reconhece que a crença no transcendente não só não deve ser excluída do Estado laico, mas pode, com seu norteamento moral e ético, contribuir para a harmonia das sociedades ali abrigadas.

Falando do aspecto tangível da Jornada, estimativas do Ministério do Turismo dão conta de que R$ 1,2 bilhão será injetado na economia brasileira. Há, além disso, bens intangíveis. Fora o Rio de Janeiro, várias cidades receberam peregrinos, que não se contentaram em participar do evento, mas também realizaram vários trabalhos sociais país afora. Bem recebido, cada jovem será um divulgador do Brasil a parentes e amigos quando voltar a seu país. Tudo isso sem calcularmos quanto o Rio pagaria para ter a exposição de sua “marca” em nível mundial, exibida para mais de 140 países, durante uma semana.

Se quisesse levar a ferro e fogo esse “ultralaicismo”, a Igreja deveria, então, tentar mensurar o quanto o Estado economiza graças a cada católico coerente com sua fé, que não sonega, não corrompe, trabalha honestamente e ensina o mesmo aos seus. Ou mandar que se emitam precatórios para pagar tantos serviços prestados por seus hospitais, escolas, creches e asilos, que tiram enorme peso dos ombros do Estado.

Não haveria papel.

Roberto Zanin é jornalista e blogueiro (www.robertozanin.com).

*artigo publicado no jornal Gazeta do Povo, PR.

Written by Editor do Blog

23 de julho de 2013 at 11:16

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Vivo, Brastemp e Cia. também merecem passeatas de protesto

As manifestações populares contra a ineficiência dos serviços públicos, a hedionda corrupção, etc,  mostraram a força que o cidadão ativo tem.

Nesse sentido, fico pensando se, além disso, nos mobilizássemos para exigir mais respeito das empresas da “iniciativa privada”.

Começando por aquelas que ganham fortunas explorando serviços que o Estado não foi capaz de gerir (como as telefônicas) ou que privatizou e deixou o serviço pior, como a Eletropaulo, por exemplo.

Os planos de saúde particulares, que engordaram graças ao lixo que é o SUS, também mereciam passeata.

As tais “agências reguladoras”, que deveriam coibir abusos e proteger o lado frágil dessa corda, não ajudam em nada.

Vejam a maior empresa de telefonia do Brasil, a Vivo.

Este pobre jornalista tenta, há meses, mudar o endereço de entrega de correspondência. Tentei entrar no site, mas ele fica de mandar a senha para meu e-mail e não manda.

Tive, então que recorrer  à sucursal do inferno: o atendimento telefônico da Vivo.

Depois de desistir esperar, fiz o seguinte:

Deixei no viva-voz, com a célebre música-chata-de-flauta-que-não-tem-fim, enquanto assistia a um filme: “Quando alguém atender, dou pause no filme”.

E lá se foram, 15, 20, 30, 40, 50, 60 minutos; 1 hora, 1 hora e meia, duas horas. Dei pause no filme e desliguei o telefone. Iria sobrar para o (a) profissional que me atendesse depois de duas horas e meia ou três horas de espera.

A Brastemp é outra que coloca nariz de palhaço no consumidor. Você é obrigado a entrar em contato com a mesma empresa de assistência técnica, que sempre manda o mesmo “técnico”, que mais confunde do que esclarece.

A nossa lava-louças deu seguidos problemas na “placa”. Da primeira vez, o leigo aqui perguntou ao “técnico” se a placa ficava atrás do painel de funções. “Sim, fica” respondeu.

Depois do terceiro defeito, o mesmo (sempre ele) “técnico” me disse que a placa fica na parte inferior da máquina: “Não deixe molhar, porque dá pau”.

Entrei em contato com o SAC, via assessoria de imprensa, após receber o orçamento de 700 reais para consertar a tal placa.

No dia 04 de julho me ligaram dizendo para eu escolher um modelo, que poderia ser comprado com desconto.

Ficaram de ligar no dia seguinte. Só me ligaram depois de quinze, depois de eu ter entrado com queixa no maravilhoso, estupendo e recomendável site reclameaqui.com

Funciona, mesmo.

Só que o SAC da Brastemp não funciona.

Ofereceram-me um desconto igual ou menor ao que se encontra no mercado.

Apelei para o twitter da empresa.

Até agora, nada.

Haja passeata!

Written by Editor do Blog

19 de julho de 2013 at 15:29

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