Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for março 2013

A fumaça branca e o que é mutável

Para quem estuda comunicação social ou trabalha na área, como eu, a renúncia de Bento XVI, o conclave e os primeiros atos de Francisco são um verdadeiro case de significados e significantes.

E é perfeitamente possível fazer uma metáfora entre esses sinais e o que o papa deverá fazer em seu pontificado.

O Vaticano, talvez sem o saber, deu uma bela lição de como o antigo e o novo podem conviver.

Por ocasião da renúncia de Bento, vimos a porta do apartamento papal ser lacrada com uma grade fita. Graficamente, não haveria melhor maneira de comunicar que a partir de então, só o seu sucessor poderia retirar o lacre.

A “mudança” do papa emérito do Vaticano para Gastelgandolfo, foi a síntese de como usar a modernidade sem abrir mão da tradição. As câmeras não perderam nenhum segundo o íhelicóptero de vista. Católicos do mundo todo acompanharam cada instante da despedida do pontífice. Vantagens da modernidade,via tecnologia. Mas, instantes depois, a tradição reapareceu: o fechar dos portões de Castelgandolfo e a retirada da Guarda Suíça, comunicaram com perfeição explícita: o papa não é mais papa reinante.

Mas nada me fascina mais do que a simbologia da comunicação no Conclave. Após o juramento, com ares cinematográficos, a TV mostra a retirada da Capela Sistina de todos os seres humanos que não ostentam solidéu vermelho na cabeça, à exceção do bispo que faria um sermão sobre a importância do momento, e do cerimoniário, que quase em close, fecha e bate a porta da capela na “cara” de todo o mundo.

Para anunciar que já foi escolhido o Papa, a Igreja poderia fazer um comunicado para um pool de meios de comunicação.

Mas prefere manter a tradição da fumaça branca. Em pleno século 21, o mais primitivo meio de comunicação é utilizado com eficácia.

Todos pendentes de uma chaminé.

A metáfora entre esses sinais e o que deve fazer o novo papa?

Há coisas que podem e devem ser mudadas na Igreja. E ela deve saber aproveitar o que a modernidade traz de bom.

Mas há coisas que vão além da modernidade. São atemporais. Eternas.

Written by Editor do Blog

21 de março de 2013 at 13:36

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A Igreja Católica e os ‘muitos”

A Igreja Católica é mal compreendida por “muitos” porque ela, a Igreja, e eles, os “muitos”, vivem em universos paralelos. Para que esses dois cosmos se encontrem, são os “muitos” que devem fazer a curva. A Igreja pontifica sobre pressupostos. Os “muitos”, sobre “pós-supostos”. A Igreja aponta as causas dos problemas. Os “muitos” contornam as consequências.

Exemplo: a Igreja parte do pressuposto de que a disseminação da aids e de doenças sexualmente transmissíveis ocorre por causa do sexo fácil, da propaganda da mulher como objeto, da erotização precoce etc. O que ela faz? Reforça que existe sacralidade no corpo humano e que, como sempre defendeu, a união entre homem e mulher deve ser abrigada no seguro recôndito do matrimônio fiel. Os “muitos” dizem: hoje em dia todo mundo transa desde muito cedo. Use camisinha!

Outro exemplo: exterminar embriões em pesquisas com células-tronco, com o bom fim de curar graves enfermos. O que a Igreja faz? Reforça a tese de que o embrião é vida humana, que não pode, literalmente, ser medida pelo tamanho. E relembra o que muitos não entendem: um meio mau não justifica um bom fim. Os “muitos” alegam que um embrião tem o tamanho de um pingo de “i”, não anda e não fala, enquanto adultos poderiam, em tese (cada vez mais em tese), obter a cura de diversos males. Muitos e muitas cientistas incensados pela mídia deram entrevistas anunciando maravilhas à época da aprovação da Lei de Biossegurança. Algum tempo depois, alguns sumiram dos jornais, enquanto outros só aparecem para falar sobre assuntos mais amenos.

A Igreja se debruça sobre 20 séculos de Filosofia. Os “muitos” “formam suas opiniões” com 5 minutos de leitura de revistas semanais, enciclopédias iluministas, sites internéticos e jornais laicos (na verdade laicistas). Para a Igreja, 100 anos são como um dia. Para os “muitos”, tudo tem de ser rápido, instantâneo. Partilham da frase daquela canção: “É melhor viver 10 anos a mil do que mil anos a dez”.

Mas mesmo quem faz parte dos “muitos” pode aprender, por exemplo, com a renúncia de Bento XVI, desde que tenha honestidade intelectual. Os “muitos” viram na renúncia algo decidido em um clique, como fuga, como algo conveniente. Mas, na verdade, o que esse intelectual alemão de intensa espiritualidade deve ter feito? Deve ter ponderado a situação do mundo, a situação da Igreja e a própria situação, tudo diante do Senhor a quem escolheu dedicar a vida e, stricto sensu, ao único a quem deve satisfações. Com serenidade, tomou a decisão.

Lição para os “muitos”: antes de tomar decisões de cabeça quente, pondere, analise, anteveja as consequências. Se, além disso, você acredita num ente superior, consulte-o. Ouça o que ele tem a dizer. E decida.

Outra grande lição: mesmo com a decisão que pesava sobre seus ombros, o papa guardou segredo. Afinal, o segredo também foi fruto da análise feita de antemão. Há coisas que só devem ser ditas no momento certo. Antes disso, só você e Deus devem saber.

 

Written by Editor do Blog

11 de março de 2013 at 13:08

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