Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for fevereiro 2013

Mudemos as leis ou outros Kevins Morrerão

A tragédia de Oruro me deixou com uma dor do estômago que não passa.

Não passa ao ver a tristeza do pai que sou, ao ver outro pai chorando a morte repentina, inocente e sacrificada de um filho.

Não passa ao ver tantos que sempre incensaram a Libertadores como um “torneio diferente”, para times “machos”, agora se revestirem de arautos da paz.

Não passa por saber que sempre foram toleradas pedradas, urinadas, bombas, doping, brigas, capangas e resultados armados, nessa várzea sulamericana, que foi alçada pela mídia ao supra sumo dos troféus.

Não passa ao ver o clubismo, o amor e o ódio ao Corinthians, o fanatismo, enfim, suplantar uma vida (bem maior e inviolável) que se perde.

Atendo-me aos fatos, há que se separar o crime, na esfera penal, do regulamento da Conmebol.

A justiça se faz com a reparação do ofendido e com a pena ao culpado.

Kevin não pode ser ressarcido. Sua família, também não o terá de volta, mas deve acionar a Conmebol, o San José e a Gaviões da Fiel.

A torcida, que faz um carnaval caro, vende milhares de produtos próprios e tem milhares de sócios, tem grana de sobra para indenizar a família da vítima.

Sinto muito, mas não consigo defender quem atirou.

Nem quem o acobertou.

O regulamento da Conmebol prevê várias sanções aos clube.

Optou-se por pena rigorosa, proibindo a presença dos torcedores no estádio, até, pelo menos, o final da fase de grupos.

Acho justo? Não.

Penso que a sentença é um reflexo de nossa sociedade. Permissiva.

Que espera holocausto em boates para fiscalizá-las.

Que espera mortes em alagamentos e deslizamentos de terra, para inventar sistemas de alarme.

Que espera a promiscuidade para dizer “use camisinha e tá tudo certo”.

Que olha com indulgência para toda a espécie de desvio moral e ético.

A Lei Brasileira protege os bandidos e atemoriza o cidadão.

A estudada reforma do Código Penal, quer liberar o que deveria continuar proibido.

Em vez de termos penas rígidas para bandidos de dentro e de fora dos estádios, esperamos que Rodrigos de Gasperis (corinthiano assassinado em 1992 por bomba que teria sido atirada por são-paulino, da Torcida Independente) e outros tantos anônimos morram ao longo dos anos, para, agora, com essa punição, achar que começa uma nova era.

A nova era vai realmente começar quando, respaldada por leis duras, sem “réus primários, um terço de penas e regimes semi-abertos”, a sociedade se sinta protegida e, os marginais, coagidos.

A sensação de impunidade estimula os celerados.

Voltando à pena imposta ao Corinthians, acho injusta, mas como essa é a nossa sociedade, que sirva de exemplo.

Continuemos enxugando o gelo.

Sei que é impossível para quem não tem cérebro, mas que, com essa punição, topeiras de todas as torcidas pensem duas vezes antes de fazer algo parecido.

Descanse em paz, Kevin.

Written by Editor do Blog

25 de fevereiro de 2013 at 11:44

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O Papa que perdemos

“Como um raio em dia de sol”, a renúncia do Papa Bento XVI me abalou.

Senti impacto inversamente proporcional à alegria que tive quando assisti ao anúncio de que o imenso Ratzinger sucederia ao querido João Paulo II.

Quem poderia imaginar que Joseph Ratzinger, tido, rotulado e tachado injustamente como radical e intolerante, se tornaria Papa, ainda mais em Conclave tão rápido?

Em seu curto pontificado, Bento XVI deixa três obras-primas em forma de Encíclicas.

“Deus Caritas Est” fala sobre o que é afinal, o Amor, com “A” maiúsculo. Resgata o sublime sentido dessa palavra, tão desgastada. Quase tudo virou amor.

“Spes Salvi” fala da esperança que não é a última que morre, mas que é eterna.

“Caritatis in Veritate” fala que quem ama baseia seus critérios no bem do amado. Não no que o amado quer ouvir.

Nesse espírito contestou governos e suas leis anticristãs.

A caridade sem a verdade cai no sentimentalismo.

Corajoso, não escondeu sob o tapete as mazelas de ordenados servos infiéis que mancharam a Igreja.

Ciente de que o culto a Deus é algo sublime, lutou pela pureza da Liturgia, pela sacralidade do sagrado (parece redundância, mas não é).

E nesse mundo que busca o poder pelo poder, abre mão de ser Papa.

Detratado por quem não tem altura moral ou intelectual para tanto e para desespero desses, passou ileso à devassa de documentos reservados ao escritório pontifício.

 

Ao longo de 2013 anos, a Igreja passou por várias crises, letais, fatais, para qualquer instituição. Mas sobreviveu, em um perene ressurgir.

Impossível ficar indiferente. Como ela se mantém de pé?

Como explicar que nos tempos mais difíceis em seu seio, também de seu útero tenham nascido homens como São Francisco de Assis ou mulheres como Madre Teresa, para ficar apenas com dois santos entre milhões deles, canonizados ou anônimos?

O que tem essa Igreja, que não se seduz pela moda, pelo que “todo mundo faz”, pelos novos tempos?

Há algo nela que transcende à compreensão de ateus, de “católicos” que veem a Igreja sob a ótica materialista-marxista da luta de classes e de outros que dão de ombros para Pedro.

A má notícia para os lobos é que o Papa segurou a nau com mão firme.

A boa notícia para o rebanho é que Bento XVI não optou por adequar a Igreja ao que queriam os lobos.

Uma de suas frases que fazem pensar os que se bastam a si mesmos: “Não se pode seguir Jesus de forma solitária. Quem cede à tentação de ir ‘por sua própria conta’ ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.”

Joseph Ratzinger é um gênio. Um luminar que une erudição à simplicidade; sabedoria à humildade.

Essa é o Papa que perdemos.

Rezemos para que o Conclave eleja um sucessor digno dele.

Written by Editor do Blog

20 de fevereiro de 2013 at 11:36

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