Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for setembro 2012

O Pão de Açúcar (não) me deve (mais) um telefonema!

A convicção que sobre aos defensores da agenda politicamente correta, infelizmente, falta a muitos que discordam dessa ideologia.

E como essa convicção faz falta hoje em dia! Muitos não se deram conta (ou até perceberam, mas não agem) de que vivemos uma guerra ideológica, na qual a principal arma é a voz.

E a garganta dos politicamente corretos não fica quieta.

Faz barulho inversamente proporcional à representatividade que têm na sociedade.

A maioria das pessoas (os que não aceitam o aborto, o sexo livre, os kits, etc.)  está acovardada, com medo “do que vão pensar” e comete o maior dos pecados: o da omissão.

Sim, nada pior do que ouvir a voz da consciência sugerir que se faça algo e não fazer.

Nada pior do que ser “bonzinho” em vez de bom.

Nada pior do que ser asséptico, morno, “gente boa”.

E desse mal eu não padeço.

Fui à uma loja do Pão de Açúcar com meus filhos pequenos.

A um metro e pouco do chão, uma prateleira exibia revista, que não era de “mulher pelada”, mas cuja a capa trazia um rapaz apalpando o seio de um”moça”.

Se você não vê nada demais no fato “DISSO” estar visível  e ao alcance de crianças de qualquer idade, por favor, pare de ler este post.

A anestesia geral que toma conta de tanta “gente boa”, talvez tenha feito muitos ignorarem o que isso representa; alguns clientes talvez tenham achado estranho e, outros, com bom senso, devem ter pensado: “acho que deixar exposta ao lado de chicletes e balas uma foto na qual um rapaz abraça uma ‘moça’ por trás e apalpa seu seio é um pouco demais”.

Uma dessas pessoas foi minha mulher.

Ela chamou a encarregada que ouviu a reclamação e disse que o gerente iria nos ligar.

Estamos esperando.

A palavra “censura” tornou-se mais ofensiva do que assassinato ou coisa parecida.

Mas preferia o tempo em que determinadas revistas ficavam escondidas, com papel celofane no fundo das bancas de jornal.

Só comprava e via quem queria aquilo.

Ah, mas a revista que vi no Pão de Açúcar não é de mulher pelada…

Atualização: A repercussão nas redes sociais do post acima foi tão grande, que recebi uma mensagem direta via Twitter, do Grupo Pão de Açúcar. Pediram meu telefone, ligaram para mim e perguntaram em ual loja ocorreu o fato. Disseram que a gerente me ligaria. Depois de quinze minutos, ela me ligou explicando que já havia retirado a revista da prateleira e orientou os funcionários para não deixar revistas com capas desse estilo à mostra.

A nova era nas relações de consumo, mais a disseminação das redes sociais deram vez e voz a muitos cidadãos e consumidores. Sugiro que, se você se sentir atingido por algo, manifeste, educadamente sua opinião. Você não pode mudar o mundo sozinho, mas a soma de muitos “sozinhos” pode.

Written by Editor do Blog

18 de setembro de 2012 at 18:19

Sucesso de paratletas é grito dos inocentes

Assistir às Paralimpíadas é edificante. Pungente. Soco no estômago e puxão de orelhas para mim, que tantas vezes reclamo de coisas tão insignificantes. Que me “estresso” tão facilmente.
Mas esse espetáculo de superação e energia, é, acima de tudo, um grito silencioso a governos, parlamentos e tribunais ao redor do planeta.
Heróis de todos os continentes parecem clamar a cada conquista.
“Parem com as tentativas de deliberar que só os ‘perfeitos’ têm o direito de nascer”.
“Parem de julgar que vocês têm a prerrogativa, a capacidade, a superioridade ética e moral de decidirem o que é verdadeira vida. De defender que portar essa ou aquela deficiência deve ser passaporte para o não-nascer.”
A verdade é que com todo o bem-vindo progresso científico, ainda não conseguimos definir o inefável. Quanto vale um segundo de vida, mesmo que uma lufada de ar não venha acompanhada de consciência, ou de aparente “normalidade”?
Os cientificistas, materialistas e congêneres talvez não percebam que a própria Ciência, usada como argumento supremo para o banimento dos “imperfeitos”, é a grande aliada para a preservação dos direitos alienáveis de quem não foi gerado com saúde plena.
Dever do Estado é garantir que todos nasçam e possam ter acesso aos avanços terapêuticos (que não firam a dignidade humana), aos novos medicamentos, às próteses e ao auxílio para que possam desenvolver ao máximo suas potencialidades.
Até que venha o momento de partirem, após terem deixado lições para os que aqui ficam. Momento de partir que pode chegar muitos anos ou alguns instantes após seu nascimento.


Em meio à sociedade que tem horror ao sofrimento (e que tem cada vez mais pessoas deprimidas e com Síndrome do Pânico), deletar os “incapazes”, parece ser um artifício para abolir do consciente coletivo que nem tudo é conforto, eficiência, sucesso e “felicidade”.
Sempre que se fala de algo parecido, em favor da vida desde a concepção até a morte natural, os opositores embainham argumentos do tipo: “isso é coisa de religioso”. Ora, não estamos aqui falando de doutrinas, sermões, pregações ou coisa que o valha.
Falamos de algo primário: quando se escolhe quem merece ou não viver, salvo em legítima defesa, se está usurpando o direito inaliável do outro. E não um direito qualquer, mas o Direito, com “D” maiúsculo: à vida.
Que o digam pais como o jornalista Diogo Mainardi, que acaba de lançar um livro sobre suas edificantes experiências, vividas durante onze anos ao lado do filho, que tem paralisia cerebral. Mainardi, com a autossuficiência inerente à maioria dos jornalistas, rendeu-se à beleza de ser humano que é Tito e descobriu ter forças que não imaginava. O que para muitos daria “pena”, para ele, Mainardi, deu sabedoria. E para quem não sabe, Diogo não tem nada de “religioso”.
Voltando aos jogos, é sintomático que o Brasil, que investiu pesado em atletas de alto rendimento para trazer medalhas nas Olimpíadas de julho, tenha sido representado melhor por seus atletas paralímpicos. Sintomático e desafiador.
Afinal, a Mãe Gentil aprovou, via STF, o aborto de anencéfalos, abrindo a porta para decisões de tribunais Brasil afora, que têm autorizado gestantes a abreviar a vida de seus filhos com outras anomalias.
Pode parecer clichê, mas na paralimpíada, todos os atletas merecem medalha de ouro. Não só pelo exemplo pessoal, mas pelo recado dado à minha geração light, asséptica e “civilizada”.
(Artigo publicado no jornal A Gazeta do Povo, em 08/09/2012)

Written by Editor do Blog

8 de setembro de 2012 at 09:07