Blog do Roberto Zanin

Este blog analisa e repercute notícias destes tempos.

Archive for janeiro 2009

Padre Antonio Vieira, autênticos e falsos lauréis

 

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Padre Antonio Vieira transcendeu a religião. É considerado por muitos (inclusive, por mim) um dos maiores estilistas da nossa Inculta e Bela Língua. Um “tal” de Fernando Pessoa lhe chama “imperador da Língua Portuguesa”. Partilho hoje uma de suas pérolas, bem apropriada para os homens que se deslumbram com as “homenagens “ prestadas por seus iguais.

O trecho é extraído de uma pequena antologia, recém-lançada pela Editora Quadrante, intitulada “Páginas Espirituais”:

O Prêmio das Ações Honradas

“Se os vossos feitos forem romanos, consolai-vos com Catão*, que não teve estátua no Capitólio. Vinham os estrangeiros a Roma, viam as estátuas daqueles varões famosos e perguntavam pela de Catão.  Essa pergunta era a maior estátua de todas. Aos outros, pôs-lhes estátua o Senado; a Catão, o mundo. Deixai que o mundo pergunte e se admire de não vos ver premiado. Essa pergunta e essa admiração são o maior e melhor de todos os prêmios. O que vos deu a virtude, não vo-lo pode tirar a inveja, o que vos deu a fama, não vo-lo pode tirar a ingratidão. […]

Se o mundo e o tempo fossem tão justos que distribuíssem os prêmios pela medida do merecimento, então teríeis muita razão de queixa, porque vos faltaria o testemunho da virtude, para o qual os mesmos prêmios foram instituídos. Mas quando as mercês não significam valor, mas valia, pouca injúria se faz a quem não se fazem.  Dizia com verdadeiro juízo Marco Túlio que as mercês feitas a indignos não honram os homens – afrontam as honras.”

     

*Enciclopedista, estadista e general romano, Marcus Porcius Cato nasceu em Túsculo, no Lácio, no ano de 234 a.C. Conhecido como o Velho ou o Censor, e famoso pela austeridade dos seus princípios, Catão participou da segunda guerra contra Cartago, rival de Roma, cuja destruição pregava a todo o momento.   Foi o primeiro homem a escrever a história de Roma e é considerado o primeiro pensador importante da literatura latina.

 

 

Written by Editor do Blog

31 de janeiro de 2009 at 13:45

Publicado em Filosofia e Reflexões

O homem que não vendeu sua alma

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Em tempos de “toma lá, dá cá”, em que tantos renunciam aos seus ideais, em que muitos se dobram ao poder, vale a pena resgatar a memória de São Tomás More, nesse filme que tem a antológica atuação do protagonista, Paul Scoffield.  Após o escândalo Henrique VIII  – Ana Bolena,  More se torna a única voz a sussurrar aos ouvidos e à alma do Rei : “não dá para legitimar isso!”

O título original me agrada muito: “A man for all seasons”. Um homem para todas as estações, que não muda ao sabor das conveniências; que não vai para onde o vento sopra.

O resultado a história contou.  Para quem não conhece, não vou contar o desfecho. O DVD se encontra nas melhores locadoras do ramo. Se a sua locadora não o tiver, não é das melhores do ramo…

O filme ganhou  6 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Paul Scofield), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia – Colorida e Melhor Figurino – Colorido. Recebeu ainda mais duas indicações, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Robert Shaw) e Melhor Atriz Coadjuvante (Wendy Hiller).

        

                     

cartaz original do filme

cartaz original do filme

 

Elenco: (fonte: adorocinema.com.br)

 

Paul Scofield (Sir Thomas More)
Wendy Hiller (Alice More)
Leo McKern (Thomas Cromwell)
Robert Shaw (Rei Henrique VIII)
Orson Welles (Cardeal Wolsey)
Susannah York (Margaret More)
Nigel Davenport (Duque de Norfolk)
John Hurt (Richard Rich)
Corin Redgrave (William Roper)
Colin Blakely (Matthew)
Cyril Luckman (Arcebispo Cranmer)
Jack Gwillim (Chefe de justiça)
Vanessa Redgrave (Ana Bolena)

Written by Editor do Blog

30 de janeiro de 2009 at 17:14

O Dinheiro e a Felicidade

Assisti a um documentário, exibido pelo GNT, (“Born Rich” – Nascidos em berço de ouro) e que parte de um mote original. O criador da obra,  Jamie Johnson,  é simplesmente o bisneto do fundador da Johnson & Johnson.  Pensou em retratar um pouco o que se passa no coração e na mente de quem, como ele, nasceu em berço de ouro (e bota ouro nisso! Jovens com fortuna acima de um bilhão de dólares). Os depoentes têm algo em comum, além da abundância de recursos financeiros: a tristeza explícita, que salta aos olhos e chega quase a sufocar.

Há cenas e depoimentos que provocariam horas de reflexão. Ivanka, filha de Donald Trump, manifesta a angústia de não saber se suas amizades são sinceras , ou se as pessoas se aproximam dela por causa do dinheiro. Todos assumem que quem quiser casar com eles, tem que aceitar fazer um contrato pré-nupcial. O avô de Jamie é um exemplo: alterou o testamento, deserdou os seis filhos e transferiu seus 500 milhões de dólares para a terceira mulher, ex-cozinheira da família. No fim, um acordo na Justiça redistribuiu a herança.  

 O pai de Jamie nunca precisou trabalhar. Enquanto pinta um quadro, é questionado pelo filho sobre qual carreira deveria seguir. O pai, sem tirar os olhos da tela, responde, com ar de fastio:  “sei lá, você pode colecionar documentos e mapas históricos!”

 

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Jamie e o pai: fazer o quê da vida?

         

Há três declarações antológicas (ou “antalógicas”):

1)      A assumidamente consumista compulsiva  Stephanie Ercklentz, herdeira de um banqueiro nova-iorquino, explica por que os membros desse clube só namoram e casam entre si: “”Não suportaria que um namorado qualquer me criticasse por pagar 600 dólares por uma bolsa Gucci”, dispara.

2)      Perguntado sobre o que sentiria se perdesse a fortuna, Jack Weil, herdeiro da Autotote, empresa que domina o mercado de apostas em corridas de cavalos nos EUA, cravou: “Seria o mesmo que perder um pai, uma mãe ou um filho. Não consigo nem pensar nessa hipótese. É o tipo de situação que só conseguiria enfrentar caso acontecesse”.

3)      Ivanka Trump ao lembrar a época em que o pai estava endividado: “Saímos de um dos nossos hotéis, meu pai viu um mendigo e me disse: esse homem é seis bilhões de dólares mais rico do que eu”.

Não sei por que, mas me lembrei agora daqueles que não nasceram em berço de ouro, mas ganharam na loteria, e enriqueceram da noite para o dia. Muitos achavam que seus problemas haviam acabado. Mas, na verdade, apenas haviam começado.

O resumo da ópera? Para quem já é feliz sem ele, o dinheiro pode ajudar. Mas, por si só, o dinheiro não traz felicidade. E nem banda buscá-la.

 

 

 

Written by Editor do Blog

30 de janeiro de 2009 at 16:29

A verdade é objetiva. A mentira é subjetiva. Não existe a “minha verdade”, ou a “sua verdade”. Ela está acima de nós. Ninguém é dono da verdade. A verdade é que deve ser a nossa dona . Em meio ao relativismo que grassa em nossa sociedade, quero refletir sobre ética, moral, comportamento e a realidade de um modo geral. Talvez dizer o que muitos pensam, mas não falam, acuados por uma minoria barulhenta

Hoje, dia de Santo Tomás de Aquino, inauguro, com grande alegria, o meu blog, com o post de um artigo que escrevi para O Correio Braziliense.

Causas e conseqüências

O politicamente correto é o dogma do nosso tempo. Pobre de quem questionar seus decretos. Será condenado à fogueira da ridicularização, será tachado de inimigo do progresso, de obscurantista. A legalização do aborto (eufemisticamente tratado como “interrupção da gravidez”, termo mais palatável), a utilização de embriões para pesquisas e a eutanásia são alguns tópicos do seu index dogmático.

O politicamente correto exerce a pior forma de coerção. Afinal, a pior violência não é aquela declarada, aberta, ostensiva. É aquela que, travestida de virtude, com a aparência do bem, ilude os incautos, engaja os adeptos, oprime os opositores. E nunca, “neste país”, o politicamente correto encontrou terreno tão fértil como agora, para enunciar suas teorias e materializar seu ideário.

Querem um exemplo concreto? O self-service do látex, a máquina automática que despejará preservativos no colo dos alunos da rede pública a partir do ano letivo de 2008. A garotada, acostumada com máquinas similares, que oferecem refrigerantes e salgadinhos, poderá, com um simples toque de botão, ter acesso ao tal “sexo seguro”. Isso é que é modernidade!

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Uma das principais características do politicamente correto é passar a idéia de que determinada situação está fora de controle. A solução? Combater as causas? Não, o negócio é contornar as conseqüências, sabe como é…

Dessa forma, desde muito cedo, as crianças convivem diariamente com imagens e estímulos que incentivam a erotização precoce: outdoors, propagandas, filmes, músicas etc,etc,etc. A maioria dos pais, filhos de uma geração repressora, sentem uma espécie de remorso de impor limites, de proteger seus filhos de tanto lixo, enfim, de educar. Afinal, educar dá um trabalho… exige tempo, paciência, dedicação…

Nesse contexto, o governo, tão intolerante quando alguém discorda de suas posições, quer se intrometer na educação dos nossos filhos. Quer dizer o seguinte: vocês, pais, vocês, mães, perderam a batalha contra Eros. Já que vocês não sabem educar seus filhos, nós, do alto da nossa estatura moral, vamos dar camisinha para eles. Afinal, como já dissemos repetidas vezes, eles podem “transar” à vontade, mas com camisinha.

Aliás, ou o produto camisinha é ruim ou os sucessivos governos são péssimos em publicidade. Afinal, já se utilizaram diversas formas de propaganda, com temas diferentes incentivando o uso de preservativos e, mesmo assim, a “galera” não adere. Ou será que adere, mas o resultado não é o prometido, não garante “risco zero” de contaminação?

Já que hoje tanto se fala no direito à escolha, sugiro, pelo menos, uma campanha opcional, com foco na castidade (verdadeiro tabu nos dias de hoje), paralela à outra, que incentiva o “vale tudo com camisinha”. Por que essa ditadura de costumes?

Os partidários do PC (calma, quer dizer Politicamente Correto) podem não gostar, mas vou propor algo revolucionário: por que não fazer uma campanha que valorize o amor, que incentive os pais para que eduquem filhos e filhas com base no respeito ao outro e, por que não, que proponha que vale a pena esperar. Que cada ser humano é único e irrepetível, não algo descartável, a exemplo da camisinha.

Como otimista incorrigível, vejo que essa é uma ótima oportunidade para dar um basta nisso tudo. Ninguém, n-i-n-g-u-é-m, pode substituir os pais na educação dos filhos. Quem sabe esse absurdo faça “cair a ficha” e os pais se mobilizem contra essa idéia surrealista.

Combater as causas, sem dúvida, não é tão simplista como driblar as conseqüências. Mas, o que queremos? Soluções ou paliativos?

Written by Editor do Blog

28 de janeiro de 2009 at 13:48

Publicado em Politicamente Correto